Fenômeno da estiagem já afeta 97 comunidades rurais em Tefé, no Amazonas

Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – A Prefeitura de Tefé (a 522 quilômetros de Manaus) decretou situação de emergência por conta do fenômeno da estiagem provocar o isolamento social de 97 comunidades da zona rural da cidade, que têm como principal meio de locomoção o transporte fluvial. A medida foi publicada nessa quarta-feira, 14, no Diário Oficial dos Municípios (DOM).

O documento foi assinado pelo prefeito Normando Bessa de Sá (Progressistas), que considerou o parecer técnico da Coordenadoria Municipal de Proteção da Defesa Civil de Tefé, que apresenta elementos técnicos sobre os desequilíbrios hidrográficos da região.

Segundo o parecer, as comunidades estão sendo prejudicadas tanto no âmbito social quanto à subsistência e mobilidade, sendo destacado o isolamento social, prejudicando milhares de famílias. O prazo de vigência do decreto pode ser prorrogado até completar um período de 120 dias ou considerado nulo quando comprovado o fim do período de estiagem.

Confira o decreto aqui:

O município fica localizado no encontro dos rios Tefé e Solimões e, assim como boa parcela das cidades do Amazonas, a população enfrenta a seca do verão amazônico. A estiagem é um fenômeno natural que ocorre por conta da falta de chuva por um período extenso em determinada região.

Em vídeo compartilhado pelas redes sociais em dois de outubro deste ano, é possível observar a imensidão do lago de Tefé completamente seco. Nas imagens, o matagal consome o terreno que antes era coberto pelo rio.

Previsões

De acordo com a pesquisadora responsável pelo Sistema de Alerta Hidrológico do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Luna Gripp Alves, as vazantes no Amazonas, em 2020, ocorreram de forma mais acentuadas nas regiões mais altas dos rios, como o Alto Rio Negro e o Alto Rio Solimões.

“Este ano, nas regiões mais próximas à cabeceira [da bacia amazônica], nas partes mais altas dos rios [Alto Rio Negro e Alto Rio Solimões], os municípios foram afetados por uma vazante considerada crítica. O rio começou a descer rápido devido a uma falta de chuva naquela região. Choveu abaixo do esperado, resultado numa baixa rápida nos níveis dos rios”, destacou

Apesar disso, a vazante dos rios também vem afetando os municípios da Região Metropolitana de Manaus, como é o caso de Iranduba, cujo volume de água do Rio Negro revelou um cenário desolador, no qual a população precisa disputar espaço com o lixo despejado de forma irregular.

A estiagem do rio Paraná, no município de Manaquiri (a 54 quilômetros de Manaus), também deixou isoladas centenas de famílias que vivem em comunidades ribeirinhas da zona rural. Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram casas e barcos em meio ao nada, que antes era espaço dominado pela abundância da água doce.

“Os impactos vão depender de onde a cidade está localizada, por exemplo, esses municípios próximos a cabeceiras, a principal forma de transporte, seja de pessoa, de carga, material, alimentação, combustível é por via fluvial. E quando o rio desce, afeta a população porque atrapalha a navegabilidade, que acaba encarecendo o transporte e às vezes até inviabiliza”, finalizou a pesquisadora Luna Grippe.

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