Festival Olhar do Norte: mulheres nortistas discutem alternativas e espaços no audiovisual

Malu Dacio – Da Revista Cenarium

MANAUS — Sabrina Tretin, Isabela Catão, Rosa Malagueta e Keyla Sankofa debateram a respeito das mulheres no cinema em uma roda promovida pelo Festival Olhar do Norte. O evento aconteceu no Palácio da Justiça, na tarde deste domingo, 23.

Com mais de 35 anosexperiência, a atriz Rosa Malagueta defende que a dica para alcançar novos espaços é conhecer outras mulheres. “Comecei a procurar algumas pessoas na pandemia. Novas atrizes e artistas. Para mim, ter confiança em uma pessoa e saber o que ela faz é necessário”, diz.

Rosa sugeriu aos profissionais presentes na discussão a criação de um banco de dados. “Atrizes eu conheço muitas, mas profissionais da técnica precisamos conhecer e formar um banco de dados com funcionários do Amazonas”, sugeriu.

Atriz Rosa Malagueta defende que a dica para alcançar novos espaços é conhecer outras mulheres (Larissa Martins)

Para a atriz Isabela Catão, protagonista de um dos filmes a serem exibidos no festival, a troca entre as mulheres fomenta e incentiva a entrada de outras nesse universo. “Eu sinto que a comunicação e nos expressarmos cada vez mais nossos pensamentos em roda com outras mulheres incentiva e também dá lugar e encoraja essas mulheres a falarem sobre o que elas pensam”, defende.

“Eu sinto que essa roda de conversa de alguma forma encoraja essas mulheres a fazer que elas querem fazer, eu acredito nisso. Então trazendo elas para este lugar eu acho que faz com que outras pessoas as olhem, as conheçam”, explica.

A atriz Isabela Catão e a diretora Sabrina Tretim (Malu Dacio/Cenarium)

Primeira vez

Natural do Tocantins, a diretora Sabrina Tretim veio de Curitiba para exibir seu filme na Região Norte pela primeira vez.

“É a primeira vez que o filme está passando na Região Norte, que é a região que eu nasci então isso para mim é muito forte e muito importante. Fiquei até nervosa, porque há três mulheres maravilhosas ali, eu, meu Deus, o que eu falo?”, disse.

“Mas foi muito incrível estar ali, com essas outras três mulheres para falar sobre mulheres na arte, mulheres fazendo arte. Porque tem muitos empecilhos no cinema, ainda mais nesse recorte geográfico do norte, mas eu me senti em casa, eu tô me sentindo em casa, tô muito feliz”, confessa.

Uma das ouvintes que esteve na roda foi a atriz Sarah Margarido. Ela conta que tem se interessado cada vez mais no audiovisual.

“Acho que muita coisa reverbera na gente em um olhar leigo de fora, que não tem muito contato com o cinema aqui do Norte. Nós pensamos ser uma coisa muito mais fechada, até na forma de você se introduzir no meio”

“Ao meu ver, as mulheres falando assim é uma total inspiração. Eu acredito muito que a partir de hoje muitas mulheres que estavam aqui presentes e até que estavam assistindo a live vão pensar em produzir e ter a coragem de se colocar nesse lugar”, finalizou.

Sobre as artistas

Diretora de filmes — Sabrina Tretim. Diretora natural de Araguaína (TO)
Sobre o filme: Meu coração é um pouco mais vazio na cheia (TO); Dir. Sabrina Trentin – 10’ – 14
Pessoas esperam um ano inteiro para descer para o Rio Araguaia, onde o céu é mais alto e uma vez no ano parece uma vez na vida. Neste filme-ensaio, palavras e imagens contam sobre festas dentro da água. Muito em breve tudo que vai correr nas suas veias é o rio. E só o rio.

Isabela Catão é atriz e dois filmes com sua participação serão exibidos no festival.

21 de janeiro de 2022
20h – Teatro Amazonas
Enterrado no Quintal (AM); Dir. Diego Bauer – 15’ – 16
Quando mais jovem, Isabela enterrou um revólver no quintal de casa, com uma promessa de se vingar do seu padrasto, que agredia a sua mãe. Anos depois ela desenterra a arma e vai em busca de sua vingança.

23 de janeiro de 2022
20h Teatro Amazonas

Terra Nova (AM); Dir. Diego Bauer – 22’ – 12
Manaus, abril de 2020. Karoline é uma atriz de teatro que decide ir a uma agência da Caixa solicitar o seu auxílio emergencial. Ela é acompanhada da irmã que vai tentar reaver o seu emprego.

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