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23 de junho de 2021
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Iury Lima – Da Revista Cenarium

VILHENA (RO) – Desde fevereiro, a administração pública de Vilhena, a ‘Cidade Clima da Amazônia’, tem informado sobre a chegada das maritacas, aves parecidas com papagaios, porém menores que sempre procuram a região nesta época de reprodução e utilizam os forros dos telhados das casas para chocar os ovos, além de árvores e buracos de barrancos.

Por se tratar de animais silvestres, é crime espantar, tocar, machucar ou até fazer algo pior com os exemplares da espécie e se tornou costume, para os mais de 102 mil habitantes de Vilhena, cidade a 705 quilômetros de Porto Velho, conviver com famílias de maritacas acima de seus tetos. O problema é que boa parte dos filhotes, nesta temporada, estão desenvolvendo deficiências que os impedem de andar, voar e sobreviver.

A Psittacara leucophthalmus, chamada também de maritaca, periquito-maracanã e de vários outros nomes populares, é da mesma família que os papagaios (Psittacídeos), por isso são animais facilmente confundidos. Só de maritacas existem 18 espécies diferentes. Elas são naturais da Mata Atlântica, da Floresta Amazônica e do Cerrado e vivem por toda a América do Sul, exceto o Chile.

Com o período de reprodução, que acontece entre novembro e março, centenas de maritacas procuram a cidade para se aninhar. (Reprodução/prefeitura de Vilhena, RO)

Movimento

Essas aves se adaptam muito bem à vida em regiões agrícolas e em cidades, quando saem das florestas, diferente de outras espécies ameaçadas que fazem parte da mesma família, como a arara azul. É o grupo de aves com o maior número de espécies que correm o risco de desaparecer do planeta, apesar da maritaca, por outro lado, ser muito comum.

Em Vilhena, quarta maior cidade de Rondônia, a população já está acostumada. Parece um ritual da natureza. Com o período de reprodução, que acontece entre novembro e março, centenas e centenas de maritacas procuram a cidade para se aninhar (apesar de não construírem ninhos, literalmente). Elas optam por árvores ocas, buracos em barrancos, rochedos, e até mesmo sótãos e forros dos telhados das casas para botar e chocar os ovos.

As maritacas são aves parecidas com papagaios, porém menores (Reprodução/Prefeitura de Vilhena-RO)

Sem construir os ninhos, as fêmeas botam em superfícies lisas, o que está gerando preocupação para a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que passa a orientar a população de que forma proceder diante do destaque desta temporada: filhotes que estão desenvolvendo deficiências por não conseguirem se equilibrar sobre os forros feitos de PVC, crescendo com as patas atrofiadas.

Filhotes

De acordo com o secretário municipal de Meio Ambiente, Rafael Maziero, existe uma época do ano, que é normal, que as maritacas se reproduzem mais e aparecem mais nas cidades, algumas casas com forros abertos, com telhados abertos, atraem as maritacas a se aninharem.

“E acontece isso, de ficar com a deficiência nas pernas, ficarem abertas. Os pais, eles tratam, cuidam, e aí chega o momento da vida em que eles voam e os filhotes voam atrás. Só que por ter essa deficiência e não conseguir se equilibrar em forros muito lisos, os filhotes não criam a musculatura necessária. E quando vão sair dos telhados, eles caem e ficam ali, agonizando até, provavelmente, morrerem”, explica.

A secretaria realiza resgates para tratar de filhotes debilitados (Reprodução/Prefeitura de Vilhena-RO)

A secretaria realiza resgates para tratar de filhotes debilitados, mas não consegue atender a todos os casos. Uma das aves, que aparece nas fotos acima, provavelmente morreria se não recebesse cuidados específicos. “Então, a Semma não dá conta, não temos espaço físico para cuidar de todos esses animais. Então, aqui fica o alerta para que nós possamos fechar as entradas dos nossos telhados, todas as fendas, para evitar que isso aconteça. Isso é um crime ambiental, é uma tragédia grave. É algo muito triste de ver. É uma responsabilidade de todos cuidar do meio ambiente”, enfatizou o secretário.

Ninhos urbanos

O secretário Rafael Maziero diz que município viabiliza projeto para a construção de ninhos urbanos para as maritacas em pontos de maior incidência (Imagem cedida: Prefeitura de Vilhena, RO)

Este é um resultado que a própria secretaria não esperava, com a reprodução mais acentuada neste ano. Em março, em um vídeo lançado nas redes sociais, a pasta orientava que a população deixasse que as aves se abrigassem dentro dos telhados, adiando a realização de reparos para vedar as entradas, apenas paras depois que os animais fossem embora.

Por outro lado, Rafael Maziero anunciou um projeto de construção de ninhos urbanos, para diminuir o risco ao desenvolvimento dos filhotes em reproduções futuras. “Serão colocados nos locais de mais incidência desse problema, aqui em Vilhena, de onde recebemos mais denúncias”.