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6 de dezembro de 2021
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Via Brasília – Da Cenarium

Força ou fraqueza?

Em sua magistral coluna de hoje, o jornalista Josias de Souza trouxe a lembrança de uma frase proferida nos idos dos anos 1964, pelo ex-governador do Rio de Janeiro, Carlos Lacerda. Diante de uma tentativa – fracassada – de mostrar força, do presidente João Goulart ao colocar tanques na rua na capital federal, Lacerda bradou: “revolta das lavadeiras, só tem tanques e trouxas”. Reproduzo a frase, mas destaco todo o respeito a quem vive dignamente a lavar nossa roupa suja e que não merecia ser comparada a essa turma do atraso. Mas, o final dessa história, quem estudou um pouco a política já sabe: Jango acabou deposto por um golpe militar e o que seria para demonstrar força, se mostrou fraqueza.

Golpe contra a democracia

Por razões diferentes, já que o presidente Jair Bolsonaro golpeia a democracia se valendo do mesmo artifício de exibição das armas, a tentativa poderá ter destino semelhante, só que pela via da institucionalidade. Quanto mais estica a corda, mais Bolsonaro corre o risco de sofrer os efeitos da terceira Lei de Newton, segundo a qual ao aplicar a força sobre um corpo, a mesma força reage em direção oposta. As instituições que respeitam a Constituição Federal já se organizam e se unem para barrar as ameaças golpistas dos setores mais anacrônicos do governo e das Forças Armadas. Afinal, 2021 não é 1964 e as condições que favoreceram o apoio ao golpe na época não estão postas, avaliam os analistas mais otimistas.

Militares cooptados

Já os mais pessimistas, ao comparar a tentativa de melar as eleições do ex-presidente dos EUA, Donald Trump – que se seguiu à invasão ao Capitólio – arriscam que o presidente brasileiro poderá se sair melhor do que Trump, imitado e venerado por Bolsonaro. Isso porque o presidente brasileiro já vem gestando o sonho de impor uma ditadura faz tempo e porque, diferentemente das Forças Armadas norte-americanas que são tradicionalmente refratárias a tomar posições políticas, setores mais radicais do Exército, Marinha e Aeronáutica brasileiros foram cooptados em troca de 6 mil cargos no governo, orçamentos e soldos polpudos.

Enterro do voto impresso

Enquanto os tanques antigos exalando fumaça negra desfilavam pela Esplanada dos Ministérios em movimento esvaziado, líderes de direita, centro e de esquerda defendiam a democracia e o impeachment de Bolsonaro e se manifestavam na frente do Congresso Nacional. Numa união de forças políticas antagônicas que não se via desde o movimento pela redemocratização do País, na década de 80, fizeram pronunciamento contra o adiamento da votação da PEC do voto impresso, cogitado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira. Ao dizer que a Câmara não se intimidará a ameaças armadas enterrando hoje o sistema de contagem anual de votos, parlamentares anunciaram a derrota golpista.