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1 de dezembro de 2021
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Da Revista Cenarium*

BRASÍLIA – O senador Chico Rodrigues (DEM-RR), flagrado escondendo mais de R$ 30 mil na cueca, pediu licença do Senado na manhã desta terça-feira, 20. Inicialmente, o senador havia solicitado 90 dias de afastamento, mas, no começo da tarde, corrigiu para 121 dias. Na petição, ele disse que a decisão de esconder dinheiro foi “irracional”.

Na prática, a mudança abre caminho para o suplente e filho do parlamentar, Pedro Rodrigues (DEM-RR), assumir a vaga durante esse período. O Senado ainda terá de dar posse ao suplente. A Casa ainda não se manifestou oficialmente sobre qual será o encaminhamento. Pelo regimento, a substituição só ocorre em caso de licenças superiores a 120 dias.

Com a medida do ex-vice-líder do governo, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu na tarde desta terça-feira, 20, sua decisão que afastou Rodrigues por 90 dias na semana passada. Assim, o plenário da Corte não julgará mais a liminar sobre o afastamento do senador.

O senador é suspeito de participar de um esquema de desvio de recursos destinados ao combate à covid-19. Desde que o escândalo veio à tona, após a operação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União identificar irregularidades na aplicação de emendas parlamentares, o presidente Jair Bolsonaro procura se desvencilhar do antigo aliado, que era vice-líder do governo no Senado e perdeu o posto.

Chico Rodrigues diz na petição que esconder dinheiro foi ‘irracional’

Na mensagem ao Senado, Chico Rodrigues negou que o dinheiro ocultado na cueca durante uma operação da Polícia Federal tenha sido fruto de corrupção. Ele afirmou que o dinheiro era destinado para pagar funcionários de uma empresa da família, como já havia dito sua defesa na segunda-feira. “A verdade é que, em um ato impulsivo, acordado pela Polícia, de pijama, assustado com a presença de estranhos em meu quarto, tive a infelicidade de tomar a decisão mais irracional de toda a minha vida”, afirmou o senador em mensagem encaminhada junto com a petição para licença do mandato. Os detalhes da apreensão, afirmou Rodrigues, são fruto de uma “atitude impensada”.

 Ele alegou ainda que sua declaração de Imposto de Renda comprova a origem lícita dos recursos. O parlamentar encaminhou o documento ao Senado, mas a declaração não se tornou pública. 

Na segunda-feira, 19, a defesa alegou que Rodrigues “está sendo linchado por ter guardado seu próprio dinheiro”. Também ontem, Chico Rodrigues deixou o Conselho de Ética do Senado.

(*) Com informações do Estadão