22 de janeiro de 2021

Ana Pastana – Da Revista Cenarium

MANAUS – Com as enchentes e os rastros de fogo, é possível que os solos da Amazônia tenham ficado mais férteis de acordo com o consultor na área de agrimensura voltada à preservação, Ricardo Ninuma. Por ser um ambiente propício para a proliferação de bactérias e fungos, criando macro e micronutrientes, esses acontecimentos são muito bons para a agricultura.

Os solos férteis são áreas que sofreram queimadas constantes, criando um solo com bastante cálcio e fósforo, de acordo com Ninuma. “Desde que respeitemos o desenvolvimento de bactérias e fungos nutritivos para o solo, esse ciclo se torna eterno e faz bem ao meio ambiente”, diz.

O homem do campo vai continuar aproveitando a fertilidade ocasionada anualmente pelas enchentes. “Estão abandonando as queimadas para a fertilidade, pois é um processo longo de criação do ambiente propício para o desenvolvimento da matéria orgânica”, explicou Ninuma.

Os solos férteis podem ser desenvolvidos por meio de compostagem natural, independentes de enchentes ou queimadas. No Amazonas, a mancha de fertilidade é conhecida como ‘Terra Preta de índio da Amazônia’. Atualmente usam resíduos de serraria, carvoaria, esterco animal além da vegetal para a decomposição.

Antigamente pesquisadores teorizavam que a Terra Preta da Amazônia foi formada pela queima controlada da biomassa da floresta. Essa visão alimentou a indústria de produção de carvão vegetal a partir de biossólidos, como o biochar, carvão vegetal usado como correção para o solo, em que tais solos são considerados modelo de agricultura sustentável.

No Amazonas, Iranduba (a 27 quilômetros de Manaus) é o município mais reconhecido pela grande extensão de mancha fértil e por ser objeto de pesquisa arqueológica, porém, não é o único que possuí solo de fertilidade no Estado.

De acordo com Ninuma, “apesar do solo da Amazônia ser pobre em fertilidade, existe uma camada formada por matéria orgânica proveniente de decomposição vegetal e animal. Essa camada é o que mantém a floresta amazônica vistosa como conhecemos”.

“A roça tradicional, que usa corte e queima, libera nutrientes muito rapidamente para o solo e rapidamente é lavado pelas chuvas e absorvido pelas plantas. Após o terceiro e quinto ciclo o solo está esgotado. Nos sistemas agroflorestais, que se propõe manter a vegetação e acumulando folhas, cada ano o solo está estruturalmente e nutricionalmente melhor. O que isso mostra. O solo pode ser fértil mas a agricultura despeja”,explicou a etnobotânica, Veridiana Vizoni.

Lucas Silva, professor de estudos ambientais da Universidade do Oregon, nos Estados Unidos, explica que as descobertas ressaltam a necessidade de uma visão mais ampla da evolução da paisagem como um caminho para entender a formação das terras pretas amazônicas e redirecionar as aplicações para o uso e conservação sustentável da terra.

“Nossa hipótese iria transformar nosso entendimento da influência humana na Amazônia, abrindo novas fronteiras para o uso sustentável de paisagens tropicais daqui para a frente”, finaliza o ambientalista.

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