Forças Armadas vão atuar no combate ao garimpo em Terras Yanomami


31 de janeiro de 2023
Forças Armadas vão atuar no combate ao garimpo em Terras Yanomami
Ministro José Múcio Monteiro anuncia que vai a Roraima na próxima semana (Pedro Ladeira/Folhapress)
Da Revista Cenarium*

BRASÍLIA – O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, afirmou nesta terça-feira, 31, que vai na próxima semana a Roraima, com os comandantes das Forças Armadas, para auxiliar na força-tarefa montada pelo Governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diante da crise sanitária e de saúde pública dos Yanomami.

“Tem que ter um esforço concentrado de todas as instituições para que possamos sanar o problema. É uma tristeza. Antes de procurarmos [os responsáveis], precisamos salvar aquela população”, disse Múcio em entrevista à Bandnews TV.

“[A crise] Tem uma origem, e nós sabemos. A presença do garimpo ilegal é muito forte e será debelada. O decreto de ontem permite que as Forças Armadas tenham um efetivo mais abrangente [na região]”, completou.

Segundo Múcio, cada Força terá um papel específico para desempenhar na terra indígena, com o objetivo de desmobilizar o garimpo ilegal que se instalou na região.

O Exército ficará responsável por realizar trabalho de campo, para identificação de criminosos. A Marinha vai prestar apoio com barcos, com a vigilância nos rios.

A Aeronáutica, além de enviar doações para os Yanomami, vai monitorar o espaço aéreo. “Qualquer voo suspeito vai ser obrigado a desviar a rota e pousar numa pista para ser identificado”, disse o ministro.

A Terra Indígena Yanomami, a maior do Brasil, foi tomada por garimpeiros ilegais que, na busca pelo ouro, contaminaram o rio e impossibilitaram a pesca na região.

Sem peixes e tendo de se deslocar constantemente para evitar conflitos com os garimpeiros, os yanomamis passaram a enfrentar uma desnutrição grave e adoecer com infecções respiratórias e malária.

Famílias indígenas estão recebendo doações de latas de sardinha como alternativa ao alimento tradicional. As latas —presentes em pequenos fardos de comida que incluem pacotes de arroz, de farinha e de sal— são despejadas pelo ar, sem pouso de aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) na curta pista do Pelotão Especial de Fronteira (PEF) Surucucu, do Exército.

O Governo Jair Bolsonaro (PL) viu a crise escalar e atingir o ápice em 2022, o ano em que mais de 20 mil invasores intensificaram o garimpo ilegal e consolidaram o avanço dos pontos de exploração rumo a áreas de aldeias antes distantes dos garimpeiros, com a conivência do governo.

Também no ano passado houve uma crise no fornecimento de medicamentos básicos aos indígenas, como vermífugos para as crianças, com suspeita de fraude e corrupção no contrato assinado pela gestão Bolsonaro.

O Governo Lula (PT) declarou estado de emergência em saúde pública no último dia 20 e criou um comitê de coordenação para enfrentamento à desassistência sanitária na terra Yanomami.

(*) Com informações da Folhapress

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