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20 de outubro de 2021
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Luís Henrique Oliveira – Da Revista Cenarium

MANAUS – Seca extrema, baixa umidade do ar, ventos fortes e ações criminosas são um prato cheio para o pior cenário de incêndios florestais dos últimos 22 anos no Pantanal brasileiro, conforme dados do Instituto Centro Vida (ICV). E um registro comovente causou indignação nessa segunda-feira, 31, quando uma onça pintada foi fotografada, estirada na beira da estrada de Porto Cercado (a 100 quilômetros de Cuiabá), vítima do intenso calor e fumaça.

O animal foi encontrado pelo fotógrafo João Paulo Guimarães, de Belém, no Pará e é membro de um grupo de jornalistas e ativistas do meio ambiente que articula denúncias e realiza a cobertura das queimadas na Amazônia em 2020. “Muito triste realmente. Fotografei na estrada do Porto Cercado, próximo ao Sesc Pantanal”, disse.

Para se ter uma ideia, dos 380 mil hectares atingidos pelos incêndios que avançam no Mato Grosso, 47 mil se referem à área da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN Sesc Pantanal), o que representa 12,3% do total. Os outros 87,7% são a somatória de áreas como a Aldeia Indígena Perigara, fazendas localizadas no Distrito de São Pedro de Joselândia, na região da Estrada-parque Porto Cercado e Transpantaneira. As fazendas São Francisco, São José, Tutu, Cambará, Santa Tereza, Santa Elvira, Paraíso e Beleza estão entre as atingidas.

“Um absurdo. Um total desrespeito ao meio ambiente. Essas florestas são as casas de milhares de animais. Enquanto o governo federal não tomar medidas mais eficazes, mais onças, pássaros e outros animais serão perdidos”, disse a fisioterapeuta Laura Oliveira, 43.

Fumaça densa toma de conta da Cuiabá

Ainda na segunda, a capital de Mato Grosso, Cuiabá, teve mais uma vez, um dia bastante cinzento. A cidade foi coberta por uma nuvem de fumaça vinda dos incêndios causados na Chapada dos Guimarães, no MT. A informação foi repassada pelo Centro Integrado Multiagências de Coordenação Operacional (CIMAN-MT) à REVISTA CENARIUM.

O fogo que entrou na RPPN Sesc Pantanal, a maior do país com 108 mil hectares, localizada em Barão de Melgaço, teve início em área vizinha na divisa norte, no dia 2 de agosto.

Desde o início, toda a estrutura de combate aos incêndios da reserva foi acionada para evitar a entrada desse foco na RPPN, inclusive com apoio às comunidades no entorno com brigadistas, pá carregadeira e caminhões pipa.

Mas, a intensidade do fogo, fortes ventos e altas temperatura dispersaram o fogo em uma extensa área da unidade de conservação em direção à divisa sul da reserva. Ao chegar na divisa sul, o fogo encontrou com outro incêndio que ocorria na Fazenda São Francisco do Perigara, desde o dia 30 de julho. O fogo que atingiu a fazenda teve início no dia 28 de julho, na Terra Indígena Perigara, vizinha da Fazenda e da RPPN Sesc Pantanal.

Dados do Ibama/Prevfogo indicam que 98% dos incêndios têm origem em ações humanas, acidentais ou criminosas. Por conta disso, o Governo do Estado de Mato Grosso esclareceu que está colocando em campo toda a equipe e infraestrutura disponível das secretarias de Meio Ambiente e de Segurança Pública para a realização de fiscalização e combate aos incêndios florestais.

Ações suspensas

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) suspendeu as operações de combate ao desmatamento ilegal na Amazônia e ações contra as queimadas na região do Pantanal desde a segunda-feira, 31. Com isso, R$ 60,7 milhões deixarão de ser utilizados nesses locais.

Segundo o ministério, a medida foi tomada porque a Secretaria de Orçamento Federal (SOF) bloqueou R$ 39,7 milhões em verbas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e R$ 20,9 milhões do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) após decisão da Secretaria de Governo (Segov) e da Casa Civil da Presidência da República. Aos R$ 60,7 milhões somam-se R$ 120 milhões que também serão cortados do orçamento do meio ambiente em 2021.

Assista ao vídeo do incêndio na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso:

Vídeo foi filmado por ativistas que acompanham a situação dos incêndios florestais no Mato Grosso (Reprodução/ internet)