4 de dezembro de 2020

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Náferson Cruz – Da Revista Cenarium

MANAUS – A fragilidade nas ações de vigilância em áreas indígenas, sob a responsabilidade da Bape (Base de Proteção Etnoambiental), pode colocar em risco a segurança do território e a própria vida dos indígenas que habitam a região da confluência dos rios Ituí e Itacoaí, no Vale do Javari, no Oeste do Amazonas, fronteira entre o Brasil e Peru.

Para frear a descontinuidade das operações nestas bases, uma carta ‘manifesto’ produzida pela União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), associação que lidera as organizações de base indígenas, será publica nesta sexta-feira, 20, e endereçada a Fundação Nacional do Índio (Funai) e ao Ministério Público Federal no Amazonas (MPF/AM), para tratar da questão.

Por telefone, no exato momento em que redigia a carta, Paulo Kenampa Marubo, coordenador geral da Univaja, conversou com a CENARIUM. Ele disse que há dias funcionário da Funaí deixaram seus postos na região, porém a Funai até o momento, ainda não tomou providência quanto a situação.

“Não podemos ficar desassistidos, estamos em uma área onde estamos sujeitos a ataques de grupos invasores (madeireiros, caçadores e pescadores ilegais). Também estamos pedindo apoio a Força Nacional, para que a situação seja contornada”, relatou Paulo Marubo.

Além da situação da Bape, criada para pacificar os conflitos no Vale do Javari, que permitiu o crescimento da população indígenas na região, a Univaja se posiciona ainda, sobre a gestão e atuação regional da Funai, no Vale do Javari. “Estamos checando a veracidade da informação a respeito da saída do efetivo da Funai, mesmo com o retorno, a Bape não pode ficar desprovida, principalmente numa região onde há índices de conflitos”, completou o representante da Univaja.

Conflitos

No dia 3 de novembro do ano passado, a Bape situada na região da confluência dos rios Ituí-Itacoaí, que fica dentro da Terra Indígena Vale do Javari, foi atacada a tiros durante a madrugada, por caçadores e pescadores ilegais.

O ataque, segundo lideranças indígenas da região foi oitavo ocorrido ao longo de 2019 no território. A situação começou a se agravar no final de 2018, logo após a eleição do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

A região, desde esse período, passou a ficar sem controle. Indígenas relatam que a região vem sendo invadida porque a Funai está fragilizada, sem estrutura para a fiscalização, o que pode resultar em tragédia. A reportagem tentou contato com a Funai, mas não houve resposta.

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