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10 de maio de 2021

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Hoje o meu artigo contará a história de um dos maiores símbolos do feminismo e me sinto lisonjeada por isso.

Frida Kahlo, um dos maiores ícones, se não o maior ícone do feminismo mundial era uma mulher com deficiência, mas por algum motivo que não compreendo, isso é pouco falado em suas biografias, é quase que apagado na verdade, infelizmente.

Com muito cuidado e respeito vou abordar esse tema que merece ser reconstituído na história dessa grande mulher que tanto nos inspira há décadas.

Mesmo que existam milhares de documentos e biografias sobre sua vida, em todos eles sua deficiência foi minimizada, e é abordada de forma errônea, como se isso fosse apenas inspiração para suas pinturas.

Pouquíssimos documentos retratam sua deficiência, quase não se encontra nada que aborde de forma clara essa sua condição. Só recentemente, alguns escritores começaram a questionar essa pauta tão esquecida de sua vida.

Frida Kalho, ( 1907-1954 ), nome artístico de Magdalena Carmen Frida Kahlo, nasceu em 06 de Junho de 1907 em Coyoacán no México, filha de pai alemão e mãe espanhola.

Aos 6 anos teve poliomielite, doença que a deixou com sequelas em uma das pernas, por esse motivo ela sofria bullying de seus coleguinhas da escola.

Por causa da doença ela adotou um estilo de vestimentas que foram sua marca, roupas com estampas coloridas evidenciando a cultura do México e suas longas saias para esconder uma de suas pernas que era mais curta.

Foi uma pintora mexicana conhecida por seus autorretratos de inspiração surrealista e também por suas fotografias, seu pai e seu avô eram fotógrafos e ela herdou deles o gosto pela fotografia. Seu pai a levava para passear e acompanhar suas pinturas amadoras. Ela viu na fotografia uma forma de retratar o mundo a sua volta.

Foi uma figura muito singular e que sempre chamou a atenção pela aparência, que saía dos padrões da época, abusando de cores fortes, estampas florais étnicas, elaborados arranjos de flores na cabeça, além de suas sobrancelhas grossas.

A originalidade das vestimentas também era a forma que a artista encontrou para lidar com as muitas cicatrizes que tinha, a perna que mancava e até os coletes ortopédicos.

Desde pequena Frida teve uma saúde debilitada, com seis anos contraiu poliomielite que lhe deixou uma sequela no pé, com 18 anos sofreu um grave acidente de ônibus que a deixou um longo período no hospital. Um caminhão bateu no bonde em que ela estava, acidente no qual uma barra de ferro atravessou seu corpo, atingindo a barriga e a pelves da jovem. Por conta dessa tragédia ela não pôde ser mãe e sofreu três abortos espontâneos por causa das perfurações que teve no acidente.

A pintora carregava para as telas o sofrimento em não poder levar uma gestação adiante, como é o caso do quadro “Hospital Henry Ford ”, obra que retrata a perda do seu filho no hospital de mesmo nome, nos Estados Unidos.

Apesar de passar por mais de 30 cirurgias e usar um colete de gesso em consequência do acidente, Frida não parava de pintar, ela achou na pintura um modo de passar o tempo e expressar seus sentimentos.

Ela pintava autorretratos com base na visão que tinha a partir de um espelho em sua cama, pois dizia que queria pintar o que via com os próprios olhos, ou seja, algo que ela conhecia totalmente.

Sua obra recebia influência da arte indígena mexicana. Pintava paisagens mortas e cenas imaginárias. Usava cores fortes e vivas, explorando principalmente os autorretratos.

Frida também retratava artisticamente aspectos íntimos e femininos, como abortos e feminicídio, algo considerado um tabu na época. O último tema foi retratado, por exemplo, em uma de suas obras mais impactante e intitulada “Unos Cuantos Piquetitos”, de 1937, na qual se tem uma mulher nua, coberta de sangue, em uma cama, com um homem ao lado segurando uma faca. Para essa obra baseou-se em um caso no qual o marido havia matado a esposa por ciúmes.

Em 1953, o estado de saúde da artista piorou muito, levando à amputação de seus pés. Foi nesse momento de sua vida que ela disse a famosa frase: “Pés, para que os quero, se tenho asas para voar?”

Frida nunca escondeu sua dor e fragilidade tanto física quanto emocional, colocando nas pinturas o que passava ou já tinha passado para os olhos de todos.

A exposição de sua vulnerabilidade física em contraponto com sua força como mulher, da persistência que teve e na luta contra as dores e a tristeza de não ser mãe, são motivos que levaram mulheres de todas as partes do mundo a se identificarem com suas dores, desprazeres e decepções, chamando a atenção inclusive de movimentos feministas atuais.

Ainda hoje Frida Kahlo é mundialmente reconhecida por seu trabalho e por ter sido uma mulher irreverente no período em que o gênero feminino não tinha tanta voz e representatividade.

Frida Kahlo, um dos maiores símbolos do feminismo mundial era uma mulher com deficiência sim. Mas, infelizmente quando vemos, ouvimos ou lemos sobre Frida, especialmente enquanto mulher militante, essa característica é sucumbida, quando não alterada, como se o fato de ser uma pessoa com deficiência a desabonasse ou descredibilizasse como lutadora ou representante de um grupo.

Mas, se a própria Frida nunca escondeu sua deficiência nas suas pinturas, por que insistem em apagar essa característica dela?

Uma das pintoras mais famosas do mundo é uma mulher com deficiência, mas sua deficiência não tem vez e nem voz nas artes, nos movimentos feministas, nas estampas.

É surreal e uma imensa falta de respeito venderem estampas de camisa com a figura da Frida em uma bicicleta, ela jamais pôde andar de bicicleta, nunca teve esse prazer.

Surrealismo é isso, em pleno 2020 as pessoas continuam apagando e ignorando as pessoas com deficiência, seus corpos e seus lugares de fala.

Frida faleceu em 13 de julho de 1954, aos 47 anos, no México, por embolia pulmonar.

Em 1958 foi criado o Museu Frida Kahlo, na chamada Casa Azul, local em que Frida cresceu e viveu a maior parte da sua vida. No museu, localizado em Coyoacán, no México, os fãs e demais admiradores de Frida podem conhecer mais quem foi a artista, os objetos que lhe pertenceram, a sua vida, além de algumas de suas obras.

A inovação promovida pela Convenção da ONU, reconhece a deficiência como resultado da interação entre indivíduos e seu meio ambiente.

A Convenção Internacional sobre Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, assinados em Nova York em 30 de março de 2007, ratificado através de decreto legislativo no Brasil através do artigo 5º, parágrafo 3º como força normativa constitucional, veda a discriminação das pessoas com deficiência, o que significa que a lei entra em vigor no Brasil com status de Emenda Constitucional.

Em 06 de Julho de 2015, foi assinada a Lei 13.146/2015, que trata da inclusão da pessoa com deficiência, podendo também ser chamada de Estatuto da Pessoa com Deficiência, na qual sempre deve-se preservar o princípio da dignidade  humana.

Portanto, os direitos das pessoas com deficiência são direitos fundamentais, devendo desta forma serem respeitados. Reconhecendo igualdade entre as pessoas, proporcionando o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais, buscando a inclusão social e cidadania, e como o da não discriminação, eliminando barreiras, além de proporcionar plena igualdade de condições perante a sociedade, possibilitando a essas pessoas uma convivência social digna.

(*) Regiane Pimentel é bacharel em direito, ativista social e feminista amazônida.

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