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15 de outubro de 2021
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Bruno Pacheco – Da Cenarium

MANAUS – Garimpeiros armados voltaram a atacar nessa terça-feira, 13, a comunidade Palimiú, na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. De acordo com lideranças indígenas, este é o segundo ataque aos Yanomami em menos de uma semana. A informação foi divulgada nesta quarta-feira, 14, pelo vice-presidente da associação Hutukara e o Conselho de Saúde Indígena Yanomami e Ye’kuanna (Condisi-Y), Dário Yanomami.

De acordo com a associação, não houveram feridos em nenhum dos episódios. O primeiro ataque ocorreu no dia 8 de julho, por volta das 10h30, quando um grupo de mulheres Yanomami foi atacado perto da comunidade do Korekorema, que também fica na região de Palimiú. De acordo com a associação, lideranças relataram o caso por telefone.

“As mulheres buscavam o corpo de um jovem que havia desaparecido no rio, quando foram abordadas por um barco de garimpeiros armados que dispararam 4 tiros, e retornaram para seu acampamento no rio Uraricoera”, diz trecho do comunicado da Hutukara.

Já o segundo ataque ocorreu por volta das 2h dessa terça-feira, 13, em Palimiú. A região fica no município de Alto Alegre, no norte do Estado. Conforme a associação Hutukara, a comunidade foi abordada por dois barcos repletos de garimpeiros, que dispararam 10 tiros na direção dos Yanomami.

“Apesar das recentes e bem-vindas ações de desmonte de garimpos ilegais na região, o relato indica que as comunidades indígenas continuam submetidos no interior da Terra Indígena Yanomami, demandando a continuidade de ações de repressão à atividade ilícita do garimpo na região e o bloqueio permanente da logística que permite sua perpetuação”, continua o comunicado.

Veja a nota da associação:

Ataques constantes

A comunidade Palimiú fica às margens do rio Uraricoera, na Terra Indígena Yanomami, considerada a maior reserva indígena do Brasil, com quase 10 milhões de hectares entre os Estados de Roraima e Amazonas. Na região, vivem cerca de 27 mil indígenas, que são alvos de garimpeiros que invadem a terra em busca da extração ilegal de ouro.

No mês de maio, o clima de tensão tomou conta da comunidade, por conta dos constantes ataques dos garimpeiros. Desde 10 de maio, os Yanomami de Palimiú sofrem com as ofensivas, por meio de tiros ou bombas de gás lacrimogêneo. Em um vídeo, é possível ver o momento em que os confrontos começaram.

Momento do ataque aos indígenas no dia 10 de maio (Reprodução/Arquivo Pessoal)

Em junho deste ano, a Polícia Federal deflagrou a “Operação Omama” para retirar os garimpeiros da Terra Indígena e desenvolver ações de combate à mineração ilegal na região. As ações ocorreram com o apoio de tropas especiais, uso de aeronaves e equipamentos, que fizeram incursões estratégicas em diversos garimpos dentro da Terra Yanomami “visando apreender e inutilizar maquinários, aeronaves, insumos e outros materiais utilizados na extração de ouro”.

Indígenas afirmam que, mesmo com a operação da PF, continuam as intimidações de garimpeiros aos Yanomami. Em nota à CENARIUM nesta quarta-feira, 14, a Fundação Nacional do Índio (Funai) informou que permanece realizando as atividades de sua atribuição nas Bases de Proteção Etnoambiental (Bapes) da Terra Indígena Yanomami e acompanha o caso junto à comunidade indígena.

“A fundação esclarece que a área Yanomami conta com as Bapes Serra da Estrutura, Walo Pali,  Xexena e Ajarani. Todas essas unidades são responsáveis por ações permanentes e contínuas de proteção, fiscalização e vigilância territorial, além de coibição de ilícitos, controle de acesso, acompanhamento de ações de saúde, entre outras atividades. Por fim, a Funai esclarece que Informações relativas a denúncias de ilícitos, bem como operações policiais na Terra Indígena Yanomami, somente poderão ser prestadas pela Policia Federal”, esclareceu a Funai, na nota.