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29 de janeiro de 2022
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Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – Garimpeiros atacaram e atearam fogo em aldeias da Terra Indígena Mundukuru, no município de Jacareacanga, região a Sudoeste do Pará, nesta quarta-feira, 26. De acordo com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), o ataque ocorreu em retaliação à Operação Mundurukânia, da Polícia Federal, que combate os garimpos clandestinos.

“A presença das Forças Nacionais, desde segunda, 24, não inibe os garimpeiros que seguem cometendo atos de violência para ameaçar e intimidar lideranças contrárias à atividade ilegal em terras indígenas. Homens armados, que exibiam galões de gasolina, invadiram, a aldeia da TI Munduruku onde se encontrava Maria Leusa Munduruku, coordenadora da Associação das Mulheres Munduruku Wakoborũn (organização que vem sendo atacada por denunciar os garimpeiros) e incendiaram sua casa”, disse as associações, em nota.

A Apib divulgou imagens da casa da liderança indígena Maria Leusa, que vive na aldeia Fazenda Tapajós, próximo a Jacareacanga. A residência foi destruída pelo fogo. A Munduruku pede por socorro em mensagem de áudio enviado à articulação.

“Venham, por favor, está uma confusão, vão queimar minha casa. Adonias [Munduruku] está dando tiros no cais, em todo lugar. Eles estão dando tiros, por favor, me ajuda”, suplica a indígena, à Apib.

Casa de Maria Leusa foi consumida pelo fogo (Divulgação)

As lideranças indígenas suspeitam de que o ataque tenha sido organizado após o vazamento, nessa terça-feira, 25, de um documento do Serviço de Repressão a Crimes contra Comunidades Indígenas da Polícia Federal (PF) para grileiros que atuam em sete florestas nacionais e territórios indígenas, no Sudoeste do Pará.

“Mais uma vez, vidas indígenas estão ameaçadas pelo garimpo e por garimpeiros na Amazônia. A rotina de terror se repete também na TI Yanomami, em Roraima, sob ataque intenso desde o início do mês”, salientaram as organizações, ao lembrarem dos ataques de garimpeiros que também vêm ocorrendo na comunidade Palimú, nas margens do rio Uraricoera, em Alto Alegre, Roraima.

Operação

O ataque ocorre em meio à Operação Mundurukânia, da Polícia Federal, que investiga crimes de associação criminosa, exploração ilegal de matéria-prima pertencente à União e delito contra o meio ambiente. As ações dos agentes ocorrem conjunto com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o Ibama e a Força Nacional.

As diligências fazem parte de uma série de medidas determinadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, em julho do ano passado, para o enfrentamento e monitoramento da Covid-19. Uma das medidas solicitadas é a expulsão de invasores das terras indígenas.

Na manhã desta quarta, em continuidade à operação, os policiais que participavam ação foram surpreendidas por um grupo de garimpeiros, que protestaram contra ação das forças de segurança. Os manifestantes tentaram expulsar os agentes do aeroporto em que aguardavam para embarcar à Terra Indígena, além de tentar invadir a base policial e depredar as aeronaves e os equipamentos policiais.