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26 de janeiro de 2022
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Com informações do Estadão Conteúdo

BRASÍLIA – Não há dados precisos sobre o volume de ouro contido no leito dos rios amazônicos. Há décadas, porém, as margens e os fundos de grandes rios da margem direita do Estado do Amazonas, como o Madeira, Tapajós, Jamanxin, Teles Pires e Xingu são alvos de ações criminosas de garimpeiros. Atualmente, centenas de balsas de garimpo ilegal estão reunidas no Rio Madeira e a Polícia Federal (PF) prepara uma ação para conter o avanço da exploração e dos danos ambientais na região.

Estudo realizado neste ano, pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), estima que, entre 2019 e 2020, foram comercializadas 174 toneladas de ouro pelo Brasil. Esse volume seria suficiente para encher a caçamba de 11 caminhões “toco” – ou semipesados – de ouro puro.

Do total, 49 toneladas saíram de áreas com evidências de irregularidades. Segundo o levantamento, 13% das áreas de lavra mencionadas como o local de origem do ouro não tinham evidência de exploração, portanto, provavelmente, o metal era originário de áreas ilegais. Os demais 87% envolviam áreas exploradas para além das autorizações de lavra de fato concedidas.

Conforme o estudo, assinado pelo Centro de Sensoriamento Remoto e o Laboratório de Gestão de Serviços Ambientais (UFMG), além do Ministério Público Federal, estima-se que o ouro ilegal explorado entre 2019 e 2020 tenha causado um prejuízo socioambiental de, aproximadamente, R$ 31,4 bilhões.

Um documento elaborado pela organização indigenista Operação Amazônia Nativa (Opan), em parceria com o Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) e com a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) aponta que o Estado do Amazonas conta, atualmente, com 2.857 processos minerários ativos na Agência Nacional de Mineração (ANM), em várias fases de tramitação, atingindo uma área de, aproximadamente, 12.800.016 hectares, o que corresponde a cerca de 8% de todo o seu território. Desse total de pedidos, 34% requerem a extração de ouro.

Os dados se baseiam em informações oficiais do Sistema de Informações Geográficas da Mineração (Sigmine), banco de dados mantido pela ANM.