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26 de janeiro de 2022
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Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – A desvalorização do real em decorrência da alta do dólar tem maior impacto para os amazonenses, de acordo com avaliação da vice-presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Denise Kassama, em entrevista à CENARIUM nesta quinta-feira, 11.

“Alta do dólar impacta diretamente nos preços como pudemos observar no caso da gasolina. Uma vez que o País importa boa parte deste insumo, quando os combustíveis sobem, toda a atividade econômica sobe também, considerando a dependência dessa matriz energética”, explica Denise.

Economista Denise Kassama (Arquivo Pessoal/Reprodução)

Para a economista, o Amazonas consome em maior escala de itens que não produz como a gasolina que chega ao consumidor final a R$ 5,29 em Manaus. A depreciação afeta também os setores de vestuário e medicamentos, assim como todas as atividades relacionadas à Cesta Básica.

“Com isso, o frete fica mais caro e o custo é transferido para toda cadeia. A indústria que importa parte de seus insumos sofrerá impacto no custo dos produtos, seguindo assim essa tendência nas demais esferas”, detalhou Kassama.

Veja também: Desvalorização do real supera até a da moeda de Mianmar, que vive golpe de Estado

Entendendo a desvalorização

Denise Kassama diz que sempre quando há o questionamento sobre a desvalorização do real é necessário compreender que quando o real caí, é preciso obter mais reais para comprar dólar. Por exemplo, para adquirir apenas US$ 1 é exigido gastar R$ 5,60, conforme a cotação atual.

“Quando viajamos ao exterior, precisamos comprar dólares para usar. Da mesma forma, as transações comerciais de importação e exportação também são realizadas em dólar, que não é a moeda corrente do Brasil. Assim, o BC precisa manter uma reserva monetária”, diz a especialista.

Kassasma detalha que caso haja mais importações do que exportações, indica um déficit na balança comercial. “Se o Brasil gastou mais dólares do que recebeu, reduz a reserva monetária e a quantidade de moeda no mercado. Quanto menor a oferta, maior a tendência de aumento de preços”, detalhou a vice-presidente do Cofecon.

“Dessa forma, o Brasil deve priorizar políticas públicas que estimulem atividades voltadas para exportação. Não apenas de itens primários, mas principalmente de manufaturas que gerem maior valor agregado”, completa Kassama.

Fatores

Segundo Denise, os fatores que influenciaram a alta partem da própria crise econômica mundial que com reflexos nacionais reduziu o ritmo das relações comerciais. Além da pandemia, que instituiu medidas de restrição, provocando a queda da produção industrial e consequente desemprego.

“A mudança desse cenário passa pela superação da Covid, antes de mais nada. Na medida em que os países vacinam a população, garantem a plena retomada das atividades econômicas. Infelizmente, ainda estamos bem longe da imunização da população”, finalizou.

Veja também: Motoristas de aplicativos fazem protesto contra mais um aumento da gasolina

Combustível

As pautas relacionadas ao combustível tem sido constante no País. Isso porque o Brasil enfrenta o sexto aumento de preço da gasolina somente neste começo de ano, causando revolta de motoristas em geral que têm se manifestado contra as medidas anunciadas pela Petrobras.

Em Manaus, um grupo de motoristas de aplicativos parou uma das principais avenidas da capital na tarde dessa quarta-feira, 10, em protesto por mais um aumento da gasolina. Além da reinvindicação contra a alta do combustível, a categoria pediu por revisão de políticas públicas à categoria.

Manifestação dos motoristas de aplicativo ocupou uma das principais vias de Manaus (Bruno Pacheco/Revista Cenarium)

Mais aumentos

Na capital, uma pesquisa da Comissão de Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa do Amazonas (CDC/Aleam), divulgada na primeira semana de março deste ano, registrou um aumento de 44,3% na cesta básica. Nos dias 23 e 24 de fevereiro, foram mapeados 26 itens essenciais, resultando na cesta mais barata por R$ 201,13 e a mais cara R$ 290,32.