Gastrite, taquicardia, ansiedade: saiba doenças que o excesso de café pode causar

Com informações do UOL

SÃO PAULO – Não é raro alguém associar o consumo de café à taquicardia, ansiedade ou até mesmo gastrite. Mas será que a bebida tem relação com esses problemas? “Em poucas situações ele realmente pode fazer algum mal”, aponta o médico nutrólogo Rafael Soares, da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia).

Quem já tem alguma condição, sensibilidade à cafeína ou intolerância a alguma substância da bebida pode ter desconforto ao consumi-la, já que ela é ácida e possui efeitos estimulantes. Um estudo publicado em 1992 no Western Journal Medicine até aponta que a ingestão de café e cafeína tem sido associada a muitas doenças, entretanto as correlações definitivas têm sido difíceis de comprovar. “De uma maneira geral, só traz malefícios em excesso”, diz Soares.

Efeitos podem depender dos seus genes

A bebida é composta por mais de mil ingredientes ativos, como a cafeína, minerais, vitaminas, compostos fenólicos, polissacarídeos, lipídeos e aminoácidos. Por isso, segundo o médico geneticista Marcelo Sady, diretor da Clínica Multigene e professor da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Botucatu, é natural que cada pessoa responda de um jeito diferente à sua ingestão, principalmente considerando os fatores genéticos.

“Aqueles indivíduos que metabolizam mais rápido, conseguem eliminar a cafeína e receber os benefícios dos outros componentes do café, que podem atuar como protetores e antioxidantes”, explica Sady. Já quem tem alteração no gene CYP1A2, por exemplo, pode ter o metabolismo mais lento. Nesse caso, a cafeína permanece mais tempo no organismo e pode levar a um efeito vasoconstritor, que tem sido associado a um maior risco de desenvolver hipertensão e doenças cardiovasculares, como aponta um estudo publicado em 1999 no periódico científico European Journal of Clinical Nutrition.

Essas pessoas ainda podem apresentar sintomas como taquicardia, sudorese excessiva, mãos frias, agitação, dor de cabeça após consumir uma simples xícara de café. Os metabolizadores mais rápidos apresentam pouco ou nenhum sinal, mas isso não significa que podem tomar várias doses de café por dia.

Além disso, como a cafeína age em centros estimuladores do sistema nervoso central, pessoas que têm sensibilidade à substância, quando tomam uma quantidade razoável, podem desenvolver sudorese excessiva, tremores, taquicardia, ruborização (vermelhidão), mãos frias, agitação, dor de cabeça. Podem ainda apresentar problemas de digestão e gástricos, ter diarreia, fazer mais xixi, alterações de ritmo cardíaco e pressão arterial, agitação emocional e distúrbios do sono. Em excesso, a cafeína também pode dificultar a absorção de algumas vitaminas e minerais, como cálcio, ferro, vitaminas B e D.

Essas situações também estão associadas a fatores como idade, sexo, treinamento, dieta etc., e também à quantidade de café ingerida. Os estudos científicos ainda divergem sobre isso, mas o que se tem de consenso até hoje é que o limite saudável é de 400 mg por dia por adulto (dependendo da concentração de cafeína do café que se toma, esse valor pode variar o número de xícaras —alguns estudos dizem 3,4, 5, outros até 20). “O importante é não exagerar. Quem toma suplementos, por exemplo, precisa ficar atento se a substância já não está presente. Nesses casos, o café deve ser deixado de lado para evitar o risco de efeitos colaterais”, alerta a médica nutróloga Marcella Garcez, professora e diretora da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia).

Doenças e sintomas associados ao café

Não é comprovado que o café cause nenhuma doença, mas sabe-se que pode ser fator agravante das seguintes doenças ou sintomas:

Gastrite/úlcera gástrica

“A cafeína é considerada uma substância irritante da mucosa gástrica, porque além do efeito local, quando estimula o sistema nervoso acaba produzindo mais ácido no estômago, acentuando assim os sintomas do paciente, mesmo sem ser a causa direta da doença”, explica Natália Chammas, nutricionista da Clínica Carvalho Concept. Soares ainda explica que no café existe o chamado ácido cafeico, que é antioxidante e faz muito bem ao corpo. Mas ele pode aumentar o nível de gastrina, que deixa o estômago mais ácido. Então quem já tem gastrite ou outras condições, como azia, pode ter mais sensibilidade. Além disso, doenças inflamatórias intestinais também podem ser afetadas, já que com o pH mais ácido do café pode acelerar o trânsito do intestino e aumentar a diarreia.

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