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18 de janeiro de 2022
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Com informações do O Globo

MANAUS – Ditadura não se comemora, mas é importante lembrar, para que a liberdade nunca mais seja roubada, como aconteceu em 31 de março de 1964. Eis abaixo uma lista de dez filmes disponíveis em streaming que dramatizam, discutem, estudam e relembram o fatídico dia da “quartelada”, para lembrar a expressão de Carlos Heitor Cony. Cabe notar que ao menos um filme essencial para esse panorama, “Cabra marcado para morrer”, de Eduardo Coutinho, está indisponível no momento. Mas vamos às dicas.

‘Terra em transe’

Glauber Rocha faz uma investigação barroca e genial das forças políticas e econômicas brasileiras dos anos 60, alegorizadas no país imaginário de Eldorado, em que o jornalista Paulo Martins (Jardel Filho) tateia entre o apoio a figuras carismáticas interpretadas por Paulo Autran e José Lewgoy e vivencia a intervenção do capital estrangeiro no cenário político nacional e a ausência de soluções para aplacar a fome e a miséria da população. Premiado no Festival de Cannes de 1967. Está disponível no Globoplay e no Telecine.

‘Blá Blá Blá’

Um político, interpretado por Paulo Gracindo, discursa ao vivo na televisão sobre a instabilidade política nacional e proclama medidas autoritárias para a contenção dos dissidentes. Mais que um aceno ridicularizante ao golpe de 1964 e às falsas razões nobres dos militares para tomar o poder, o filme é um libelo contra todo discurso de pretensões totalitárias e patriotismos de meia-tigela. Obra-prima de Andrea Tonacci. Disponível no SPCinePlay/Looke.

‘Pra frente Brasil’

“A ditadura só foi ruim pra comunista”, dizem algumas pessoas equivocadas. E “Pra frente Brasil” parece ter sido feito pra essas pessoas, ao dramatizar a vida de um cidadão pacato que é confundido com um subversivo e submetido a sessões de tortura. Tudo isso enquanto o Brasil sagra-se tricampeão na Copa do Mundo de 1970. O filme de Roberto Farias foi pioneiro em retratar a tortura no regime militar em filmes de ficção e foi censurado depois de ganhar o Festival de Gramado em 1982. Disponível no Vivo Play.

‘Jango’

Realizado 20 anos após o golpe, “Jango” acompanha os anos de presidência de João Goulart até ele ser deposto pelos militares em 1º de abril de 1964. O documentário de Silvio Tendler conta com riquíssimo material de arquivo e com depoimentos de intelectuais e políticos como Leonel Brizola, Afonso Arinos e Celso Furtado. A trilha sonora coube a Milton Nascimento e Wagner Tiso. Disponível no Libreflix.

‘Anos rebeldes’

A minissérie de 20 episódios escrita por Gilberto Braga e dirigida por Dennis Carvalho em 1992 mostra o começo e o recrudescimento da ditadura militar pelos olhos de colegiais idealistas, em especial o casal vivido por Malu Mader e Cássio Gabus Mendes, que crescem e tomam diferentes rumos na vida, do emprego estável à luta armada, para restabelecer a democracia. Um dos mais altos momentos da TV brasileira. Disponível no Globoplay.

‘Marighella’

Se o longa de ficção de Wagner Moura permanece sendo adiado e sofrendo pressões, o documentário de Isa Grinspum Ferraz, de 2011, pode ser visto no estreaming. A diretora é sobrinha de Marighella, tido como maior inimigo do regime militar — e intercala o olhar pessoal com uma visão mais objetiva da figura histórica, num filme rico em material iconográfico e com música inédita feita por Mano Brown. Disponível no Telecine.

‘Retratos de identificação’

O documentário de Anita Leandro parte de fotografias encontradas no Dops para reviver, via entrevistas, a história de quatro guerrilheiros presos e torturados pelo regime militar. O modo como o filme trabalha os documentos, em sua fala e seu silêncio, mexe fundo. Disponível no Vimeo.

‘O dia que durou 21 anos’

Apesar da narração mais convencional, é o mais completo documentário sobre o golpe militar de 1964 e tem como foco documentos então recém-descobertos que comprovavam a participação do governo dos EUA na tomada do poder pelos militares. Disponível na AppleTV e no Google Play.

‘Que bom te ver viva’

Em seu primeiro longa, Lúcia Murat recolheu histórias de oito mulheres que foram torturadas pelo regime militar, alternando os depoimentos com momentos ficcionais vividos por Irene Ravache tensionando drama e documentário. Disponível no Looke e no NetMovies.

‘Pastor Cláudio’

Hoje pastor evangélico, Cláudio Guerra foi assassino a serviço do estado brasileiro durante o regime militar. Neste filme de Beth Formaggini, ele é entrevistado pelo psicólogo Eduardo Passos e revela o modus operandi da ditadura para sumir com seus dissidentes. Disponível no Now.

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