4 de março de 2021

Com informações do UOL

BELÉM – O governo do Pará, Helder Barbalho (MDB), acredita que a nova cepa da covid-19 já esteja presente no Pará e mudou o bandeiramento do estado para laranja, com risco médio de transmissão da doença, além de aumentar as restrições nesta sexta-feira, 29.

Um decreto que será editado ainda hoje e começa a valer amanhã traz restrições como a suspensão das aulas em escolas estaduais e municipais; proibição de venda de bebidas alcóolicas entre as 22h e 6h; fechamento dos balneários aos finais de semana, segundas-feiras e feriados; alternância de horários de serviços públicos, comércios e serviços privados para evitar aglomeração no transporte público, entre outras.

Permanecem proibidos de funcionar ainda bares, boates, casas noturnas, shows e festas abertas ao público, determinados pelo último decreto estadual do dia 15 de janeiro.

As restrições valem inicialmente para a capital e os quatro municípios da Região Metropolitana de Belém, mas a intenção é que sejam replicadas para todo o estado como forma preventiva para evitar o mesmo cenário do estado vizinho do Amazonas, onde o sistema de saúde entrou em colapso.

“Neste momento, as medidas que estão sendo tomadas são exatamente para evitar a necessidade de um lockdown. Estamos agindo preventivamente para garantir que haja o mínimo de impacto na vida da população, mas ao mesmo tempo com a responsabilidade para que o sistema de saúde seja capaz de atender a todos”, explicou o governador Helder Barbalho, em coletiva de imprensa onde as medidas foram apresentadas.

Nova cepa

Durante a entrevista, Barbalho disse acreditar que, apesar de não haver ainda nenhuma comprovação científica, a nova cepa encontrada no Amazonas já esteja no Pará.

“Não há qualquer razão para imaginar que, dada a proximidade, dada a circulação de pessoas que vieram do Amazonas e que dialogam inclusive nas fronteiras com o estado do Amazonas, de que esta nova cepa não esteja presente em nosso território”, afirmou durante entrevista coletiva para apresentação das novas medidas restritivas.

Ainda segundo ele, há relatos de profissionais de saúde da região oeste do Pará sobre uma mudança no comportamento do vírus. “Há narrativa de profissionais de saúde de Santarém, de que há uma infecção maior de pessoas mais novas.

O hospital regional de Santarém identifica como uma letalidade menor, mas com um contágio muito maior. Então, são mudanças de perfil que estão acontecendo e que os profissionais de saúde já identificam como uma mutação partindo do princípio de comparação da primeira onda que nós vivemos”.

Santarém pertence à região oeste do Pará, que já estava em risco alto de transmissão da doença desde o dia 15 de janeiro, com a chegada da segunda onda do coronavírus nos municípios que fazem divisa com os do Amazonas.

Ocupações de leitos

Também foram divulgados os dados de ocupação dos leitos destinados aos pacientes de covid-19. Hoje, o estado tem hoje 45,8% de leitos clínicos e; 75,16%, UTI, ambos adultos, ocupados.

O governador comentou ainda sobre a situação dos municípios do oeste do Pará, que enfrentam a segunda onda da doença. Segundo ele, já foram realizadas 60 transferências de pacientes para hospitais de referência na região para evitar o colapso de saúde nesses locais, além do abastecimento de oxigênio.

“Neste momento o cenário está estabilizado de demanda com oferta de oxigênio, assim como estamos dando o apoio aos sistemas municipais de saúde para que todos que necessitem de atendimento possam ter esse direito garantido”, disse.

Ainda, segundo o governador, a expectativa é que até sábado chegue a segunda remessa de oxigênio na região completando os 500 cilindros adquiridos pelo governo. O Pará já teve até agora 325.562 casos e 7.564 óbitos no Pará decorrentes da doença.

Vacinação

O governador adiantou que os governadores estão se movimentando para adquirir a vacina CoronaVac, caso o governo não sinalize a compra. “Ainda hoje, o fórum de governadores do Brasil estará oficiado o Ministro da Saúde, para que, em um prazo de 48 horas, eles se manifestem a respeito do interesse na aquisição de todas as vacinas, as 54 milhões de doses que estão disponíveis”, diz publicação.

“E, caso o Ministério não se manifeste, o Butantan estará ofertando para que os governos estaduais possam adquirir as vacinas e garantir a ampliação desta oferta para cada unidade da federação”, conclui.

O Pará já demonstrou interesse em adquirir as vacinas do Butantan, antes do início do plano nacional de vacinação, inclusive assinando um protocolo de intenção de compra com o instituto e também com a Fiocruz. O estado já recebeu 251.440 doses das vacinas, sendo 49 mil da AstraZeneca e 201 mil da CoronaVac.