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20 de novembro de 2021
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Com informações da Folha de S. Paulo

GUARULHOS – Os governadores de Nova Iorque, Nova Jersey e Connecticut decretaram estado de emergência após a tempestade tropical Ida, que avança sobre o território americano desde o fim de semana, deixar ao menos 15 mortos, nesta quarta-feira, 1º. O fenômeno já é considerado um dos maiores eventos climáticos extremos observados nos EUA nas últimas décadas.

Nove das vítimas, que tinham de 2 a 86 anos, moravam na cidade de Nova Iorque — a maioria no bairro do Queens — e morreram em meio a inundações causadas pelas fortes chuvas, de acordo com o departamento de polícia local. Outras cinco pessoas foram encontradas mortas em um complexo de apartamentos na cidade de Elizabeth, em Nova Jersey, e um homem de 70 anos morreu na cidade de Passaic após o veículo em que ele estava ficar submerso.

A polícia do Estado de Maryland, também no Nordeste dos EUA, afirmou que a morte de um jovem de 19 anos pode ter sido causada pelas inundações. Segundo os oficiais, ele foi encontrado morto em um apartamento inundado e, enquanto a autópsia não está pronta, a morte pode ser atribuída à tempestade. Seria a 16ª morte.

O prefeito de Nova Iorque, o democrata Bill de Blasio, descreveu as enchentes e o clima observado, na quarta-feira, 1º, como um “evento climático histórico”, após o Serviço Meteorológico Nacional emitir cinco alertas seguidos de inundação repentina para todo o trecho do oeste da Filadélfia ao norte de Nova Jersey.

As inundações constituem o primeiro grande desafio a ser enfrentado pela governadora de Nova Iorque, Kathy Hochul, que assumiu há menos de um mês após o democrata Andrew Cuomo renunciar, pressionado por denúncias de assédio sexual. Durante entrevista nesta quinta-feira, 2, Hochul disse que “é a primeira vez que temos um evento relâmpago de inundação dessa proporção.”

Quase todas as linhas do metrô de Nova Iorque foram suspensas após a água da chuva entrar nas estações e inundar as plataformas e os trilhos, em cenas que foram registradas nas redes sociais. O presidente da Autoridade Metropolitana de Transportes, Janno Lieber, ao comentar as interrupções no serviço público, descreveu o fenômeno como uma “tempestade épica”.

Autoridades locais orientaram as pessoas a não transitarem pelas ruas, a pé ou de carro, devido à intensidade das chuvas e dos ventos, e os veículos não emergenciais foram proibidos de circular nas ruas da cidade até as 5h do horário local.

A autoridade de trânsito nova-iorquina chegou a orientar que aqueles que estivessem presos em vagões de trem neles permanecessem. “É o lugar mais seguro para estar”, escreveu o serviço em uma rede social.

Os Estados também sofrem com o desabastecimento de energia elétrica — de acordo com a plataforma PowerOutages.US, que monitora o assunto, cerca de 43 mil consumidores de Nova Iorque estão sem energia, bem como 61 mil de Nova Jersey.

O volume de chuvas registrado durante a passagem da tempestade Ida já é considerado recorde em diferentes regiões. No Central Park, que tem registros meteorológicos desde 1869, a chuva registrada na quarta quebrou o antigo recorde, de 1927. Na cidade de Newark, em Nova Jersey, o recorde anterior, de 1959, também foi superado.

Ao comentar a destruição, o presidente Joe Biden classificou o furacão Ida como o quinto maior da história americana. O democrata agradeceu aos socorristas, que têm resgatado as vítimas das fortes chuvas, e disse um amplo plano de ajuda federal já está sendo posto em prática.

Na quarta-feira, 1º, a Organização Meteorológica Mundial (OMM), braço das Nações Unidas para questões do clima, disse que o furacão Ida pode ser o desastre climático mais caro da história, superando inclusive o furacão Katrina, que há 16 anos deixou cerca de 1.800 mortos.

Trabalhador remove barreiras que foram derrubadas pelo vento na Canal Street, uma das principais vias de Nova Orleans, na Louisiana, após a passagem do furacão Ida, o último da temporada de furacões do Atlântico neste ano
Trabalhador remove barreiras que foram derrubadas pelo vento na Canal Street, uma das principais vias de Nova Orleans, na Louisiana (Patrick T. Fallon/AFP)