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19 de abril de 2021

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Com informações Folha de S. Paulo

RIO DE JANEIRO – Quase uma semana após o início da debandada no conselho de administração da Petrobras, o governo começou a indicar substitutos aos executivos que desistiram da função após a intervenção do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no comando da companhia.

A primeira lista de indicados contempla seis das oito vagas que a União tem no conselho. Três delas serão ocupadas por militares e outras três por executivos sem ligação formal com o governo federal. Os nomes serão apreciados em assembleia de acionistas ainda não agendada.

A princípio, a lista foi bem recebida na empresa, por conter executivos com experiência no setor de petróleo e gás e em conselhos de administração de outras companhias. O governo ainda precisa indicar outros dois nomes antes da assembleia.

Na semana passada, cinco membros do conselho atual anunciaram que não aceitariam convite do governo para reconduzi-los ao cargo, em protesto contra a maneira com que Bolsonaro anunciou a demissão do presidente da empresa, Roberto Castello Branco.

Além de discordarem das críticas à gestão, eles temem processos judiciais em caso de interferências do governo que gerem prejuízo à companhia, já que a substituição de Castello Branco foi definida após diversas críticas de Bolsonaro à política de reajustes dos preços combustíveis.

Segundo comunicado da Petrobras, o governo propõe, como era esperado, a recondução do atual presidente do conselho, Eduardo Bacellar Leal Ferreira, e do oficial da reserva Ruy Flaks Schneider, os dois militares que já compunham o colegiado.

Indicado para substituir Castello Branco, o general Joaquim Silva e Luna ficará com a terceira vaga. Ele só pode ser nomeado presidente da companhia após a aprovação de seu nome para o conselho.

Para as outras três indicações, o governo escolheu uma executiva ligada ao mercado financeiro e dois executivos que já tiveram passagem pela estatal e depois atuaram em companhias privadas do setor de petróleo.

A primeira, Sonia Julia Sulzbeck Villalobos já esteve no conselho da Petrobras no governo Bolsonaro, entre maio de 2018 e julho de 2019. É administradora de empresas e fez carreira em bancos de investimentos. Desde 2016, é professora de gestão de ativos e análise de demonstrações financeiras no Insper.

Márcio Andrade Weber trabalhou por 16 anos na Petrobras e depois atuou em empresas de construção de embarcações e plataformas para o setor de petróleo. Já Murilo Marroquim de Souza atuou 13 anos na Petrobras e depois trabalhou na IBM e em uma petroleira privada.

O conselho da Petrobras tem onze membros. Além das oito cadeiras destinadas ao acionista controlador, há uma reservada para representante dos trabalhadores e duas para representantes de acionistas minoritários.

Com tem a maioria das ações com direito a voto, o governo garante a eleição de seus indicados na assembleia, mesmo que haja resistência de outros acionistas. Em 2020, porém, os minoritários conseguiram emplacar um nome entre as oito vagas destinadas à União.

A manobra garantiu a eleição do advogado Leonardo Pietro Antonelli no lugar de Maria Cláudia Mello Guimarães, que seria reconduzida pelo governo. Antonelli, porém, já disse que não pretende ocupar cadeira reservada à União no próximo conselho.

Ele é um dos cinco que declinaram do convite do governo para a recondução após o anúncio da demissão de Castello Branco, que derrubou o valor de mercado da Petrobras e afastou investidores estrangeiros da bolsa brasileira.

Além de Antonelli, João Cox Neto, Nivio Ziviani, Paulo Cesar de Souza e Silva e Omar Carneiro da Cunha comunicaram a empresa na semana passada que não querem ser reconduzidos.