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20 de novembro de 2021
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Victória Sales – Da Cenairum

MANAUS – Tessa Ganserer, de 44 anos, e Nyke Slawik, de 27, se tornaram, pela primeira vez, as primeiras mulheres transexuais a conquistarem assentos no Bundestag, o parlamento do País, na eleição que aconteceu no domingo, 26. As candidatas concorreram pelo Verdes, partido que conseguiu 118 das 375 cadeiras.

Em conversa exclusiva à CENARIUM, a presidente LGBT Manaus, Bruna Lá Close, explicou que essas vitórias, essas conquistas são respostas de anos de lutas. “O movimento está ocupando os espaços políticos públicos e isso é um grande avanço. A população está se politizando em busca de melhorias em propostas de leis que venham beneficiar nossa população já que somos esquecidos pelos parlamentos estadual, municipal e federal. Na Alemanha, então, isso é muito importante, pois é um País que pode servir de exemplo para outros”, relatou.

Bruna La Close anuncia candidatura à vereadora de Manaus | Repórter Manaós
Bruna La Close sempre esteve presente como líder de movimentos LGBT. (Divulgação)

Já o cientista político Carlos Santiago afirma que a Alemanha pós-Segunda Guerra Mundial tem dado exemplos, significativos, aos europeus e também ao resto do mundo ao consolidar o sistema democrático em que as relações institucionais são estabelecidas com autonomia, com interação, mas, acima de tudo, buscando o bem-estar da sociedade.

Santiago destaca ainda que a Alemanha elegeu, inclusive, uma mulher para o cargo mais alto da política como primeira-ministra. “A eleição de uma trans para o parlamento alemão indica que o País continua dando mais exemplo, diferente do Brasil, em que há encontro de culturas, há diversidade de crenças, há inúmeras manifestações sociais e culturais de origem do Brasil, portuguesa, mas, nem por isso, o País deixa de ser e deixa de ter uma tradição autoritária, violenta”, explicou.

Arquivos Carlos Santiago - Portal do Norte
Carlos Santiago fala sobre eleições de parlamentares trans na Alemanha. (Divulgação)

O cientista político conta ainda que, no Brasil, trans, mulheres, negros e indígenas possuem enormes dificuldades de ingressar na vida partidária e alcançar os parlamentos e governos. “A ousadia do eleitorado, da sociedade alemã, colocando novos agentes públicos nos parlamentos com postura diferente, com comportamento diferente é um recado ao nosso País tão intolerante”, salientou.

Leia mais: Alemanha elege primeiras deputadas trans, negra e com deficiência

Segundo a deputada, ela pretende avançar no Legislativo um plano de ação contra a homofobia e a transfobia. “Em uma época em que as pessoas ainda zombam de nós, quando algumas pessoas trans ainda enfrentam bullying ou perdem seus empregos devido a sua identidade de gênero], isso é histórico”, disse Slawik. “Pela primeira vez, vamos deixar de ser vítimas na sociedade e ficar em pé por conta própria.”

Na Alemanha, ser homossexual era crime até 1969, mas a partir de 2017, pessoas do mesmo sexo puderam se casar legalmente no País. No entanto, as pesquisas apontam que houve um aumento de 36% nos crimes de ódio contra a comunidade LGBTQIA+ em 2020.

Estreia

Pela primeira vez na história da Alemanha, duas mulheres transexuais conquistaram assentos no Bundestag, o parlamento do País, na eleição do último domingo, 26. Tessa e Nyke concorreram pelos Verdes, partido que ficou em terceiro lugar no pleito e garantiu 118 das 735 cadeiras para o próximo mandato. A legenda deve desempenhar um papel central na construção da coalizão para o novo governo.

O SPD de Olaf Scholz, de centro-esquerda, elegeu o maior número de deputados: 206; serão dez assentos a mais que os de sua principal concorrente, a União (CDU/CSU), de centro-direita, partido do candidato Armin Laschet e da primeira-ministra Angela Merkel. O nome do novo premier depende das costuras feitas por cada legenda para formar uma coalizão que garanta maioria no parlamento.