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17 de novembro de 2021
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Com informações do Infoglobo

GLASGOW – Partiu da ativista Greta Thunberg a crítica mais ácida do que aconteceu no quarto dia da COP26, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática. A visão da jovem sueca traduz a controvérsia em relação a compromissos vazios relacionados à neutralidade de carbono, chamada net zero, e à compensação de emissões, as chamadas offset. A polêmica ganha força em Glasgow na quarta-feira, 3.

“Tenho o prazer de anunciar que decidi ir a net zero em palavrões e falas grosseiras. Mas, no caso de eu dizer algo inapropriado, me comprometo a compensar isso dizendo algo simpático”, tuitou a jovem líder.

Ela acredita que compensar emissões de gases-estufa é apenas “greenwashing” — ou pintar de verde algo que segue causando danos aos clima.

Por exemplo: uma empresa produtora de petróleo que lance o compromisso de alcançar a neutralidade de carbono em 2050, mas continua explorando e vendendo combustível fóssil.

Um estudo recente da Oxfam divulgado mostra que, caso se use somente a terra para se remover as emissões de carbono do mundo — plantando árvores —, seriam necessários pelo menos 1,6 bilhões de hectares de novas florestas para alcançar a neutralidade até 2050.

Isso equivale a cinco vezes o tamanho da Índia, ou mais do que todas as terras agrícolas do planeta.

Organizações e movimentos como Greenpeace, Amigos da Terra e Extinction Rebellion, por exemplo, são críticos aos sistemas de compensações de emissões. Argumentam que, para se chegar às metas do Acordo de Paris, é preciso cortar emissões na fonte, e não fazer planilhas.

Outras, como WWF (Fundo Mundial para a Natureza) e WRI (Instituto Mundial de Recursos) acreditam que a compensação pode ocorrer em casos específicos, como quando a empresa não consegue mais cortar emissões ou quando já cumpriu sua meta e faz esforços adicionais. Os compromissos para a neutralidade devem ser baseados em ciência, e isso pode representar alguma ajuda às comunidades.

O tema estourou na COP26 quando Mark Carney, ex-presidente do Banco Central do Canadá e que comandou por anos o Banco Central da Inglaterra, colocou as ideias da força-tarefa para o mercado voluntário de carbono. A proposta foi criada no fim de 2020 por Carney e Bill Winters, executivo-chefe do banco Standard Chartered.

A polêmica em torno da compensação de emissões de gases-estufa se conecta com a proliferação de compromissos de neutralidade de carbono que vem sendo feitos por empresas e países.

Há compromissos e compromissos, e é difícil separar o joio do trigo. “Alguns são apenas uma meta jogada no ar, para a empresa ficar bem na história. Não apresentam planos. São promessas vazias e para 2050, um tiro vazio no futuro, sem garantia alguma de que serão cumpridas”, disse uma fonte. “É diferente de planos de longo prazo, bem estruturados, mostrando o caminho”, destacou.

Mais de 450 empresas pertencem agora a Glasgow Financial Alliance for Net Zero. No site da iniciativa Science Based Targets, que lista compromissos para a neutralidade de carbono de alta qualidade, apenas duas mil empresas e instituições financeiras listadas.