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18 de novembro de 2021
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Com informações do O Globo

WASHINGTON – Um grupo de 18 destacados cientistas americanos, britânicos e canadenses, afirmou, em uma carta publicada na mais recente edição da revista Science que, mais de um ano depois do início da pandemia, ainda não existem evidências suficientes para determinar se a Covid-19 teve origem natural ou se é fruto de um vazamento acidental de laboratório na China.

Eles defendem, assim, como o governo dos Estados Unidos já o fez, uma nova investigação para explorar a origem do vírus. A carta não é favorável a um cenário ou outro, defendendo mais investigações. Mesmo assim, causou controvérsia no meio científico.

Kristian Andersen, virologista do Instituto de Pesquisa Scripps, que produziu no ano passado um estudo que descartou a probabilidade de uma origem laboratorial, baseado em grande parte no genoma do vírus Sars-CoV-2, a atacou:

“A carta sugere falsa equivalência entre a fuga do laboratório e os cenários de origem natural”, disse. “A hipótese de vazamento de laboratório permanece baseada na especulação”.

Entre os idealizadores da carta estão Jesse Bloom, pesquisador do centro Fred Hutch, de Seattle, e David Relman, microbiologista da Universidade Stanford. Segundo os dois, muitos cientistas estão adotando a abordagem de “esperar para ver”. Vários dos outros signatários da carta não tinham se manifestado anteriormente sobre o assunto.

“Não é possível fazer declarações com alto grau de certeza sobre isso com as evidências disponíveis”, diz Bloom.

A carta afirma: “As teorias de liberação acidental de um laboratório e de ‘spillover’ zoonótico permanecem viáveis”.

No ano passado, uma equipe da Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou um relatório alegando que um vazamento era extremamente improvável. Os defensores da ideia dizem que pode ter havido vazamento de um laboratório, especificamente o Instituto de Virologia de Wuhan, na China, onde os vírus da SARS foram estudados, discordam.

A equipe da OMS visitou o laboratório de Wuhan, mas não o investigou. O relatório, produzido em missão com cientistas chineses, foi criticado pelo governo dos EUA, segundo o qual Pequim teria limitado o acesso de cientistas.

A carta na Science defende uma investigação mais rigorosa das origens do vírus, que envolva uma gama mais ampla de especialistas e proteção contra conflitos de interesse.

Michael Worobey, biólogo da Universidade do Arizona, justifica ter assinado a carta porque o debate na academia fez emergirem dúvidas sobra a questão.

“Não havia escolha a não ser expor minha preocupação”, disse.