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1 de dezembro de 2021
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Com informações da Folhapress

BELO HORIZONTE (MG) – Um grupo de manifestantes se reuniu para apoiar o central Mauricio Souza, neste sábado, 30, em protesto em frente à sede do Minas Tênis Clube, próximo à Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. Composto, majoritariamente, por sócios do clube, o grupo defendeu o jogador, demitido por divulgar mensagens homofóbicas na internet.

Veja também: Comentários de jogador de vôlei levantam debate sobre liberdade de expressão e discurso de ódio contra LGBTQIA+

Participantes do ato acusaram o Minas de fazer um “julgamento ditatorial” do atleta. O jogador de vôlei, medalhista olímpico com a seleção brasileira, criticou a orientação sexual do novo Super-Homem e desencadeou uma crise com a torcida e com os patrocinadores do clube.

Cláudia Diniz, 52, funcionária pública e uma das organizadoras da manifestação, criticou a decisão do Minas de demitir Mauricio. “Não nos sentimos representados por essa decisão sumária, como foi feita. Não entendemos que houve erro ou crime cometido por ele. Nada que justificasse um julgamento ditatorial, onde só existe uma opinião vigente”.

Veja também: Após demissão por homofobia, Maurício Souza provoca com post de beijo hétero

Ela disse que a reação à postagem foi excessiva. “Houve um massacre, com uma intenção que se diz de defender uma minoria, mas estão atacando de forma cruel um pai de família. Tiraram dele a fonte de renda. São coisas gravíssimas”, afirmou.

Ela disse que o caso se trata de um ataque à liberdade de expressão e que “não há nenhum tipo de homofobia”. Segundo a funcionária pública, o clube vai receber os manifestantes para uma reunião, na próxima quarta-feira, 3.

Luciana Rezende, que também protestava no local, disse que o grupo defende que Minas Tênis seja ‘apartidário’. Segundo ela, a demissão de Mauricio levou o clube a ser de esquerda. “A minha vontade como mãe é que o clube não seja nem de esquerda nem de direita, que seja neutro nessa questão de ideologia, que é uma coisa muito séria”, afirmou.

Romoaldo Fiuza declarou que o Brasil vive um estado de exceção em que as pessoas não podem expressar opiniões e creditou a demissão do atleta aos patrocinadores: “Estamos vivendo uma pressão da Europa. A opinião que tem que prevalecer é a deles? É uma loucura.”

Procurado, o Minas Tênis Clube informou que não tem nada a declarar sobre o protesto. Já Mauricio Souza não atendeu as tentativas de contato. O protesto ocorreu no mesmo dia em que a equipe Fiat/Gerdau/Minas entraria em quadra para enfrentar o Farma Conde Vôlei São José, em Belo Horizonte, às 20h.

Mauricio foi demitido do Minas, na última quarta-feira, 27, após pressão da torcida e dos principais patrocinadores do time, Fiat e Gerdau. As empresas repudiaram os posts do central, que reclamava do fato do novo Super-Homem ser bissexual. Pressionado, o central publicou um vídeo pedindo desculpas, mas mantendo seu posicionamento anterior.

Um grupo de 20 parlamentares de 13 estados diferentes entrou com uma representação contra Mauricio Souza no MP-MG (Ministério Público de Minas Gerais) solicitando a abertura de uma ação civil pública contra o atleta por incitação do preconceito e discriminação homotransfóbica, e pedindo R$ 50 mil em dano moral coletivo.

Renan Dal Zotto, técnico da seleção masculina de vôlei, disse que não há espaço para homofóbicos na equipe. Tite, treinador da seleção brasileira de futebol, também repudiou a posição do central. Por outro lado, Mauricio recebeu o apoio de outras personalidades do esporte e de políticos de direita. Fred, atacante do Fluminense, o defendeu, assim como outros jogadores e ex-atletas.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) publicou mensagens contrárias à decisão do Minas Tênis, depois que seu pai, o presidente Jair Bolsonaro (Sem partido) criticou a reação ao post do jogador, afirmando que “tudo é homofobia, tudo é feminismo”.

Mauricio tinha 200 mil seguidores no Instagram e, após a repercussão da postagem, viu esse número aumentar para 1,6 milhão. O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu, em junho de 2019, que a Lei de Racismo (7.716/19) contempla os crimes de homofobia, lesbofobia, bifobia e transfobia, ou seja, contra pessoas LGBTQIA+.

Vítimas de preconceito por orientação sexual podem denunciar o crime em delegacias especializadas, fazer um boletim de ocorrência, ligar para o disque 100 ou disque-denúncia da localidade e até mesmo ligar para o 190 em caso de flagrante.