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18 de maio de 2021

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Por Somini Sengupta, Catrin Einhorn and Manuela Andreoni – Do The New York Times

NOVA IORQUE – Com 1 milhão de espécies em risco de extinção, dezenas de países clamam para que se protejam ao menos 30% das terras e águas do planeta, até 2030. A meta é elaborar um convênio global a partir de negociações que ocorrerão na China este ano, com o objetivo de manter áreas naturais que nutrem a biodiversidade, captam carbono e filtram a água.

Infelizmente, pessoas que conseguiram proteger a natureza por gerações não poderão influenciar nas decisões da Convenção: as comunidades indígenas e outros grupos que mantiveram espaços para os animais, plantas e seus habitats, não cercando a natureza, mas ganhando um pequeno sustento dela.

Na Amazônia Brasileira, povos indígenas põem seus corpos em risco para proteger terras nativas ameaçadas por madeireiros e fazendeiros. “Se pretende salvar apenas os insetos e animais, mas não os povos indígenas, então há uma grande contradição”, disse José Gregorio Díaz Mirabal, que lidera a Coordenadoria de Organizações Indígenas da Bacia Amazônica, grupo formado por várias organizações indígenas. “Somos um ecossistema”.

“As pessoas vivem nesses lugares. Eles precisam ser engajados e seus direitos respeitados”, Paige West, antropóloga da Universidade de Columbia.

Defendendo terras, protegendo florestas vitais

Os Awapu Uru Eu Wau Wau protegem suas terras ancestrais: onças, macacos-lanudos marrons ameaçados de extinção e fontes naturais de onde fluem 17 rios importantes. Os indígenas Awapu Uru Eu Wau Wau têm direito legal a terra, mas, constantemente, a defendem de intrusos armados.

Pouco além do território de 7 mil quilômetros quadrados, fazendeiros de gado e plantadores de soja devastaram grande parte da floresta. Suas terras estão entre as últimas florestas protegidas e savanas remanescentes no estado Brasileiro de estado de Rondônia. Os madeireiros ilegais frequentemente as invadem.

Protetores da floresta (Ricardo Oliveira/Revista Cenarium)

Então Uru Eu Wau Wau, que usa o nome da sua comunidade como sobrenome, vigia a floresta, levando uma flecha com a ponta envenenada. Outros em sua comunidade vigiam com drones, GPS e câmeras. Ele prepara a filha e o filho de 11 e 13 anos, respectivamente, para defender futuramente o local.

“Ninguém sabe o que acontece conosco e eu não vou viver para sempre”, diz Uru Eu Wau Wau. “Nós precisamos deixar isso para nossas crianças. Cabe a elas dar continuidade”, disse. Os riscos são grandes. O primo de Uru Eu Wau Wau, Ari Uru Eu Wau Wau, foi assassinado em abril de 2020, parte de um padrão assustador entre os defensores de terras na Amazônia. Em 2019, ano em que há dados mais recentes, pelo menos 46 foram assassinados em toda a América Latina. Muitos deles eram indígenas.

“Se pretende salvar apenas os insetos e animais, mas não os povos indígenas, então há uma grande contradição” José Gregorio Díaz Mirabal, líder da Coordenadoria de Organizações Indígenas da Bacia Amazônica.

Colapso da natureza

Segundo estudiosos, a responsabilidade é das mesmas forças históricas que extraem recursos naturais há centenas de anos, às custas dos povos indígenas. “O que vemos agora com a biodiversidade em colapso e as mudanças climáticas é o estágio final dos efeitos do colonialismo”, explicou Paige West, antropóloga da Universidade de Columbia.

Eles já protegem grande parte das terras e águas do mundo, como apontou Cooper, vice-secretário-executivo da agência das Nações Unidas para a biodiversidade. “As pessoas vivem nesses lugares”, disse ele. “Eles precisam ser engajados e seus direitos respeitados”, afirmou West.

Aqui entra o 30×30. A meta é proteger ao menos os 30% das terras e águas do planeta, muito pressionado por conservacionistas, foi assumida uma coalizão entre países. Será parte das negociações diplomáticas convocadas para este outono em Kunming, China, durante a Convenção sobre Biodiversidade das Nações Unidas.