Guedes faz ‘mea culpa’ e perde influência para o Centrão, que assume reforma ministerial

Via Brasília – Da Revista Cenarium

Ex-poderoso vê erro

Depois de perder o controle sobre o orçamento, graças à canetada do presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, fez um “mea culpa”. Admitiu, em entrevista ao Estadão, que errou ao divulgar sua agenda de reformas e privatizações logo no início do Governo Bolsonaro. Guedes reconheceu que “as coisas até vão acontecendo, mas levam tempo demais” e criticou o fogo amigo contra suas ideias. Agora, o questionamento que se impõe é: qual espaço Guedes vai ocupar no projeto político de Bolsonaro aliado ao Centrão?

Ciro e Lira decidem

A declaração ocorre semanas após Bolsonaro passar aos próceres do Centrão, o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-SE), e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), o comando sobre o destino dos investimentos do governo e do chamado “Orçamento Secreto”, uma bolada de R$ 16,5 bilhões em emendas para compra de apoios no Congresso. Tudo indica, agora, que Ciro acumulará mais poder. Bolsonaro também cederá a ele a indicação de ministros para postos-chaves, na reforma ministerial que antecederá as eleições.

Olho-Gordo

O Centrão está de olho, principalmente, nos ministérios com caixa mais gordo, como o do Desenvolvimento Regional, das Cidades, além da Secretaria de Governo, em substituição a Flávia Arruda (PL-DF), candidata ao Senado. Como os titulares destes ministérios também saem para ser candidatos ao pleito, os três cargos devem ser ocupados por senadores aliados do governo como o senador Marcos Rogério (PL-RO), que deverá ter um ministério pra chamar de seu pelos “bons serviços prestados” na tropa de choque do governo, sobretudo na CPI da Pandemia.

Saúde e Trabalho

Com a Covid grassando em todo o País, o Ministério da Saúde, segundo maior orçamento, perdendo só para a Educação, segue sendo alvo de interesses políticos em detrimento de escolha técnica. A pasta também é um dos principais alvos em disputa, já que o atual ministro, Marcelo Queiroga, já admite estrear em disputa por cargo eletivo. No caso do Ministério do Trabalho, Onyx Lorenzoni tenta emplacar um técnico de sua confiança, mas o Centrão reivindica a pasta, já que Onyx deixará o DEM para ir para o PL.

Greve no INSS

Falando em Ministério do Trabalho, a greve dos médicos peritos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), nesta terça, 8, e quarta, 9, em todo o País, afetará entre 22 mil a 25 mil perícias agendadas. Na última paralisação dos peritos, no dia 31 de janeiro, o INSS informou que servidores fariam a remarcação do atendimento na agência. A agenda, porem, só tinha vaga para mais de 15 dias depois da data original, o que prolonga a espera pelo pagamento do auxílio-doença. Ou seja, sobra para os doentes mais pobres e falta ação firme do governo, mais uma vez.

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