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26 de janeiro de 2022
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Via Brasília – Da Revista Cenarium

Animal político

Mais enamorado do poder atualmente do que pelos cânones do liberalismo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, demonstra ter se convertido num “animal político” – para usar um termo cunhado pelo ex-prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, notável frasista.

Uma fonte do Congresso, que conversa muito com o mercado, afiança que Guedes estaria aberto a aproveitar a folga do teto de gastos para fazer “concessões orçamentárias” em favor da reeleição do presidente. Internamente, técnicos do governo trabalham num robusto programa social nos moldes do Bolsa Família.

Visões compartilhadas

Ao topar endividar o País para “anabolizar” os programas sociais, o ministro da Economia estaria cedendo ao avanço no orçamento e as suas teses mais caras. O esforço é colar em Bolsonaro uma prática e um discurso mais alinhados ao do seu provável adversário nas próximas eleições, Lula, o “pai do Bolsa Família”.

A aliança de Guedes com o presidente Jair Bolsonaro, que nada entende de economia, é sólida, uma vez que ambos compartilham de muitas visões de mundo. Aliados dizem que, em verdade, as divergências entre ambos seriam mais de forma do que conteúdo.

Saída pela esquerda

A opção pelo afrouxamento fiscal é uma resposta à crescente deterioração da imagem de Bolsonaro, apontada nas últimas pesquisas. A CPI da Pandemia, que pode cristalizar a rejeição alta do governo, seria outro fator a desencadear uma saída “mais à esquerda” para o governo.

Afinal, fora dos gabinetes climatizados e acarpetados, há uma massa de mais de 19 milhões de brasileiros e brasileiras que passam fome. Com cada vez mais dificuldades de apelar, em 2022, do surrado discurso do “combate à corrupção”, só restaria ao presidente tentar fidelizar os eleitores mais fragilizados pela pandemia.