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6 de maio de 2021

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Com informações da assessoria

MANAUS – Uma das maiores frustrações entre um casal que busca ter filhos é conviver com a infertilidade – que pode afetar homens e mulheres em igual porcentagem. No caso da infertilidade masculina, 30% das causas têm relação com o âmbito testicular, obstrução de dutos, patologias na próstata, alterações na ejaculação ou no esperma. Segundo o urologista e professor mestre da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Flávio Antunes, atividades físicas e regulares, manter o peso em dia e não fumar são hábitos essenciais que ajudam no processo de fertilidade.

“A infertilidade, geralmente, não dá sinais, a não ser quando há fatores genéticos. A maioria dos casais só percebe que há algo de errado com a fertilidade quando têm relações sexuais periodicamente ou passam mais de um ano tentando engravidar sem o uso de métodos contraceptivos, e não conseguem”, destacou Antunes.

As causas da infertilidade masculina são, entre elas: alterações hormonais; doenças genéticas; uso de medicamentos, como os anabolizantes. De acordo com o urologista, uma das causas mais comuns da infertilidade masculina é a varicocele, que consiste em uma dilatação nas veias que envolvem os testículos. Elas são varizes que atrapalham a passagem do sangue. Cerca de 40% dos casos de infertilidade masculina são causados pela doença, que é caracterizada pelo aumento/inchaço na região escrotal, muitas vezes não notado pelo paciente. Antunes diz que apesar de impactar na produção de espermatozoides, a varicocele não provoca distúrbios da potência sexual.

A infertilidade, geralmente, não dá sinais, a não ser quando há fatores genéticos, segundo o urologista (Divulgação)

Os espermatozoides podem apresentar anomalias no seu movimento (astenozoospermia), na sua forma (terazoospermia) ou na sua vitalidade (necrozoospermia). As anomalias podem ocorrer devido a infecções ou presença de anticorpos; alterações no número de cromossomos mediante FISH; fragmentação do DNA; fenômenos de oxidação; tiroides, diabetes; consumo de drogas ou tabaco e situações de estresse, entre outros. Os fatores de infertilidade entre o casal precisam ser analisados, já que há uma variação entre os níveis de infertilidade do homem e da mulher.

“Nem todos os casos estão relacionados com o fator masculino. Dos casos de infertilidade, 1/3 são impactados por fatores femininos e 1/3 por fatores masculinos”, salienta o urologista

Tratamento

Conforme Flávio Antunes, o tratamento da infertilidade depende da causa da doença. No caso da varicocele, por exemplo, é necessária intervenção cirúrgica. O procedimento proporciona até 70% de haver uma melhora na produção de espermatozoides, consequentemente, há o aumento na chance de o casal ter filhos. Ele faz um alerta ainda sobre o aspecto psicológico.

Tratamento depende da causa da doença, afirma Flávio Antunes (Reprodução/Internet)

“A questão psicológica é muito importante. As pessoas relacionam a questão da infertilidade com a potência sexual e, por conta disso, muitos casais deixam de frequentar reuniões familiares ou encontros com amigos. Geralmente, o casal é questionado sobre quando vai ter filhos, principalmente, após um tempo de união. Isso mexe com o homem e com a mulher. No caso dos homens, isso se relaciona com a questão da impotência. A cobrança de que o casal tenha filhos logo não é saudável e precisa ser trabalhada em junção com o tratamento da causa da infertilidade”, argumenta o médico.

Prevenção

O primeiro passo para evitar a infertilidade é ir ao urologista periodicamente. A partir de um ano de idade, os pais já podem levar a criança ao urologista. O retorno também deve ocorrer na adolescência e na idade adulta.

“O médico vai fazer uma análise e já é possível identificar possíveis causas de infertilidade. Nós não temos essa cultura de levar a criança ao médico desde cedo, além de continuar a visita ao consultório durante toda a vida do homem. Outro ponto importante é a prática de atividades físicas e a adoção de uma vida saudável. O homem deve fazer exercícios regulares, ter uma alimentação adequada, equilibrada, e evitar alimentos com conservantes. Tudo isso, provavelmente, previne alterações na produção do espermatozoide”, enfatizou Antunes.

Ao ser questionado se a infertilidade tem cura, o urologista diz que isso depende da causa principal e o estágio da doença. Segundo ele, o urologista precisa fazer uma avaliação para orientar e ter certeza sobre o grau da infertilidade.

“Como a infertilidade não interfere diretamente na ereção, muitos homens com ida sexual ativa demoram para perceber que sofrem com a infertilidade. Ela não altera a capacidade da libido. O diagnóstico precoce e controle médico periódico são fatores importantes para manutenção da qualidade da produção de esperma”, explica.

O médico também descarta que a interrupção do coito ou a prática de exercícios físicos em excesso contribuam para o agravamento do estágio da infertilidade, mas alerta para o uso de anabolizantes. “O anabolizante desregula a produção dos hormônios responsáveis por atuar na fertilidade. O uso em excesso prolongado desse tipo de produto pode desencadear a infertilidade”, finaliza.