24 de novembro de 2020

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Adriano Augusto – Da Revista Cenarium

MANAUS – “Nossa equipe foi acionada por populares que informaram sobre uma mulher que estaria tentando vender o filho de apenas seis meses de idade, para comprar drogas. Os vizinhos, que por medo de represálias não quiseram ir à delegacia prestar depoimento como testemunhas, disseram que a mulher é usuária de drogas, álcool e que já teria abandonado o filho outras vezes”. São declarações do Tenente Ramilson, da 9ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), que nesta segunda-feira (26/10) detiveram no bairro São José, zona Leste da capital, uma mulher de 28 anos, que tentou vender o filho para comprar drogas.

O tenente informou que no momento da abordagem, a mulher negou as denúncias e levou os policiais até uma quitinete onde mora. “Quando nossa equipe chegou ao local, encontrou a criança sozinha dentro da quitinete. Ao ser questionada sobre o abandono, ela disse que tinha saído rapidamente para comprar algo”, disse. Diante dos fatos, a mulher foi detida e conduzida até a Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), para os procedimentos legais.

A delegada da especializada, Joice Coelho, disse em coletiva de imprensa, que a versão da tentativa de venda da criança não foi confirmada. “Essa ocorrência foi trazida do 9º Dip e não se confirmou essa história que a mulher estava tentando vender a criança. O que foi apurado é que se trata de um possível abandono de incapaz e maus-tratos. Como não há testemunhas que confirmam essa versão, ela foi ouvida e foi aberto um Termo Circunstanciado de Ocorrência”, disse.

‘Sociedade tenta encobrir dependência’

Para o sociólogo Helson Ribeiro, a mãe precisa urgentemente de um tratamento, pois não é a primeira vez que casos desse tipo acontecem, os casos de dependentes que são deixados a própria sorte no Brasil, eles se multiplicam numa progressão geométrica e o Estado de certa forma vira as costas para isso.

“Essa mulher precisa de um tratamento urgentemente, o Estado infelizmente vira as costas para esses casos ou quando não vira as costas, a assistência que ele promove é muito pequena, mais uma vez a gente vê uma questão social muito forte, porque o dependente químico que tem poder aquisitivo, ele é internado nas melhores clínicas e a sociedade tenta encobrir essa dependência. Os que não tem recursos, como é o caso dessa senhora, são expostos e é lastimável, isso pode gerar transtornos para criança e mais uma vez nós observamos a importância de um Estado mais presente, que nem sempre ocorre”, explicou.

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