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25 de setembro de 2021
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Priscilla Peixoto – Da Cenarium

MANAUS – A imposição de limites e o autocuidado são aliados contra o desgaste mental e emocional, é o que aponta a psicóloga Raquel Azevedo em entrevista, nesta sexta-feira, 30. Para a especialista, o cuidado com a saúde mental é essencial para lidar com as emoções positivas e negativas, que interferem diretamente na saúde física e nas relações sociais.

Raquel aponta que a falta de atenção aos “sinais” de que algo não anda bem, além de saber dizer “não” em determinados momentos, são fatores que acabam contribuindo para um desgaste psicológico. “Precisamos ouvir nosso corpo, o que de fato ele está ‘pedindo’ antes mesmo de chegar ao limite. Os sinais de alerta têm que ser respeitados. Assim como as habilidades em administrar críticas”, pontua a psicóloga.

A psicóloga alerta que a pressão psicológica sofrida pelo ser humano é presente desde a infância. E com o excesso de atividades, cobrança, além de obtenção de metas e resultados, que por vezes, são inatingíveis, podem acarretar ao longo da vida diversas causas de estresse mental.

“Existe hesitação das pessoas em pausar e se desconectar das redes sociais e das atividades do cotidiano, além de perceber que o ócio pode ser muito criativo. Não há nada de errado em se permitir um momento de lazer, um momento com você mesmo para se desvincular de ambientes, situações ou relações que são ansiogênicas”, explica Raquel.

Em média, 86% dos brasileiros passam por algum tipo de transtorno que afeta a saúde mental (Reprodução/Internet)

Sinais

Até julho de 2019, segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em média, 86% dos brasileiros passam por algum tipo de transtorno que afeta a saúde mental. Ansiedade e depressão são os principais exemplos, inclusive, o Brasil ocupava a liderança em pessoas ansiosas, somando 9,3% da população.

A especialista explica que antes de chegar ao extremo das porcentagens acima, o corpo emite sinais evidenciando a necessidade de cuidados, como alterações no humor, problemas no sono, preocupação e autocobrança excessiva, além de cansaço e choro constante. A presença de desânimo, estresse excessivo, dificuldade em concentração e até mesmo ganho ou perda de peso, são alguns sintomas de algo que não vai bem.

Simone Biles

A ginasta norte-americana Simone Biles, de 24 anos, é um exemplo mais recente de que os cuidados voltados a mente podem ser mais importante do que metas a serem alcançadas. Um dos maiores destaques individuais dos Jogos de Tóquio e ganhadora de quatro medalhas de ouro no Rio de Janeiro, em 2016, abriu mão da disputa individual geral da ginástica artística, no último dia 27 de julho, surpreendendo a todos.

A americana, primeira atleta negra da história da ginástica olímpica dos Estados Unidos, um país historicamente racista, declarou sentir o peso do mundo nas costas e alegou a necessidade de priorizar os cuidados com a saúde da mente, que segundo ela, não estava bem.

“Tenho que colocar minha saúde mental como prioridade. Não vejo problema em desistir de grandes competições para focar em você porque mostra força como competidora e como pessoa”, declarou a ginasta, em coletiva de imprensa.

O cuidado com a saúde mental é essencial para lidar com as emoções positivas e negativas (Reprodução/ Internet)

Dizer ‘não’ é preciso

Raquel ressalta que falar “não” em situações específicas é saudável e deve ser encarado com naturalidade, assim como praticar o “ouvir” também. De acordo com a psicóloga, não é o que acontece geralmente. O medo de ser mal compreendido, rejeitado e criticado, além da necessidade de atender expectativas alheias somam para a barreira construída em torno do ato de dizer “não”.

“A dificuldade de se impor, abrir mão daquilo que não nos faz bem pode estar ligado a fatores como baixa autoestima, insegurança, crença de desamor, medo de perder o afeto. Em certos momentos, essa prática é importante para a saúde mental e emocional, alimentando avaliar e valorizar suas necessidades e prioridades e não ‘engolir’ tudo e sofrer calada é fundamental para não explodir em horas impróprias”, finaliza a especialista.