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19 de outubro de 2021
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Cassandra Castro – Da Cenarium

BRASÍLIA – Uma pecuária mais produtiva e que agrida menos o meio ambiente é uma prática possível. Um estudo feito pelo engenheiro florestal Paulo Barreto, pesquisador associado do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) demonstra que a região pode produzir em maior escala, sem desmatar, com o uso de técnicas adequadas e recursos já disponíveis.

As boas práticas na pecuária também são fundamentais para o avanço nas metas estipuladas pelo Brasil para serem apresentadas durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP26) que vai ser realizada em novembro, na Escócia. A redução de emissões de gases de efeito estufa está intimamente ligada com a diminuição do desmatamento.

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A análise feita pelo pesquisador aponta que a solução para aliar produtividade e preservação ambiental envolve o combate à grilagem de terras e a recuperação de pastagens degradadas para torná-las mais produtivas. Paulo Barreto fez uma revisão da literatura científica para identificar quais mudanças podem frear o desmatamento e tornar a pecuária mais eficiente na Amazônia.  “Cerca de 90% da área desmatada na Amazônia é ocupada por pastagens. Para desenvolver a região sem desmatar, é urgente repensar a atividade”, afirma o engenheiro.

O estudo “As políticas para uma pecuária mais sustentável na Amazônia” também revela que esta modalidade de produção custa menos do que derrubar floresta para abrir pastos novos. O custo total seria de R$ 270 milhões por ano, contra R$ 950 milhões gastos em um cenário de desmatamento.

Proteção ambiental x produtividade

De acordo com projeções do Ministério da Agricultura e Pecuária, ao longo da próxima década, a demanda brasileira por carne bovina deve crescer entre 1,4 e 2,4%. Segundo o estudo do pesquisador do Imazon, para atender a essa demanda sem desmatar, os pecuaristas teriam de reformar entre 170 mil e 290 mil hectares de pasto degradado por ano até 2030, ao custo de R$ 3 mil por hectare. A produtividade das pastagens deveria passar dos atuais 80kg por hectares para 300kg.

Os recursos para pôr em prática essa nova forma de produção já existem, conforme revela a pesquisa: os produtores da Amazônia Legal precisariam de um valor que pode variar entre 3 e 9,5% do crédito rural contratado para a região em 2020. 

O maior desafio seria mudar o cenário atual, com o poder público criando formas de induzir o uso mais produtivo das terras e desestimular a especulação fundiária e o desmatamento. A pesquisa também destaca a necessidade de promoção de treinamento e assistência técnica continuados para proporcionar ganhos de produtividade.