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17 de novembro de 2021
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Victória Sales – Da Revista Cenarium

MANAUS – A técnica de enfermagem Vanda Ortega, do etnia Witoto, foi a primeira indígena a ser vacinada contra o novo Coronavírus no Amazonas nesta segunda-feira, 18, durante apresentação oficial do Plano Estadual de Imunização. Vanda foi capa da revista ‘Vogue’ do mês de setembro de 2020.

“Esse momento representa muito para 63 povos indígenas do Estado, esse Estado, que tem a maior população indígena do Brasil, precisa ser cuidadoso. O povo que sempre é negado por esse sistema de poder, agora é contemplado por essa vacina”, disse emocionada.

Vanda também disse estar grata pelo suporte de pessoas e entidades às comunidades indígenas. “Agradeço a todos que nos ajudaram de alguma forma. E que essas vacinas não cheguem somente para 410 mil, pois somos mais de 1 milhão precisando de cuidados”, destacou.

Entrevista

Em setembro de 2020, a líder indígena destacou que o primeiro caso grave de Covid-19 no Parque das Tribos, bairro indígena de Manaus, apareceu em abril de 2020. “Me assustou muito. Quando eu vi as pessoas naquela situação, sem conseguir sair da rede, eu falei: ‘meu Deus, a nossa comunidade realmente está com o vírus’”, disse a líder à revista Elle.

Vanda começou a produzir máscaras para incentivar a população a se proteger contra o vírus. (Reprodução/Vogue)

Proteção

Vanda também é acadêmica de pedagogia pela Universidade do Estado do Amazonas, e com 33 anos é a única profissional de saúde moradora do bairro indígena, que tem cerca de 2.500 habitantes e cerca de 35 grupos étnicos. Vanda teve papel fundamental no ínicio da pandemia causada pela Covid-19 e com seu preparo técnico ajudou a evitar o contágio.

Além disso, Vanda também iniciou campanhas de arrecadações para compra de materiais de proteção para a população do Parque das Tribos. Juntamente com outras mulheres do bairro, Vanda começou a produzir máscaras para incentivar a população a se proteger contra o vírus.

Visibilidade

Vanda contou à revista Vogue que a doença havia se alastrado na comunidade e o cenário cada vez mais se agravava, foi quando ela descobriu que o ex-ministro da Saúde Nelson Teich estaria em Manaus e havia disponibilizado um horário para atender os povos indígenas.

A líder reuniu-se com duas parentes, uma Baré e outra Munduruku, e foram ao encontro do ministro levando as reivindicações da comunidade. “Pintamos nossa cara, botamos nossa roupa, botamos nosso cocar. E a gente se mandou para lá”, relatou à epoca.