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24 de outubro de 2021
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Luís Henrique Oliveira – Da Revista Cenarium

MANAUS – A ida para as cidades na busca pelo auxílio emergencial, oferecido pelo Governo Federal, fez com que dezenas de indígenas do País acabassem se contaminando com o vírus da Covid-19 e levando-a para suas comunidades, segundo alertou o Instituto Socioambiental na última semana.

Passados cerca de três meses do registro dos primeiros casos da Covid-19 em São Gabriel da Cachoeira (a 862 quilômetros de Manaus), os números na região mostram tendência de interiorização da doença.

Com cerca de 45 mil habitantes, São Gabriel é a cidade mais indígena do Brasil. Exemplo de que a Covid-19 está atingindo os povos indígenas que vivem mais distantes dos centros urbanos é que, dos 68 casos registrados da doença na terça-feira, 11, apenas quatro vivem em ambiente urbano, conforme informou a Secretaria Municipal de Saúde de São Gabriel (Semsa).

Lotéricas lotadas em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, preocupam entidades indígenas do País (reprodução/ internet)

Especialistas ouvidos pelo Instituto Socioambiental apontam um quadro de incerteza sobre a pandemia no Alto Rio Negro, assim como nas demais regiões do Estado, devido a fatores como desconhecimento sobre o vírus, baixa testagem e insuficiência de dados. “Meu pai morreu de Covid-19 após contrair o vírus em uma de suas idas ao banco”, disse o líder tradicional do povo indígena Kokama, Edney da Cunha Samyas, 38 anos, que contou à REVISTA CENARIUM sobre a perda de 11 familiares para a Covid-19.

Apenas ações de orientações são realizadas já que não há testes para todos os indígenas (reprodução/ internet)

Por outro lado, de acordo com o coordenador do Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) do Alto Solimões, no Amazonas, Weydson Gossel, os testes são realizados apenas em paciente sintomáticos ou que tiveram contato com pacientes com laudo positivo para Covid-19. “O que temos feito são orientações sobre a utilização de máscaras dentro e fora das aldeias, sobre distanciamento em bancos ou lotéricas e ainda sobre a lavagem das mãos e uso de álcool 70% ou em gel”, disse.

Ao Instituto Socioambiental, a pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz Amazônia, Luiza Garnelo aponta que realmente há uma tendência de interiorização dos casos da Covid-19. “Na Amazônia, há um perfil [da pandemia] que tem início pelas cidades grandes, como Manaus, Belém e Macapá, e começa a se espraiar para o interior. Esse modelo de Manaus, que vai para o interior, como uma onda, vemos se replicar nos municípios do interior. A tendência em São Gabriel é que a Covid-19 avance para as áreas rurais, em função do fluxo das pessoas”, disse.

Dados

De acordo com a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), até o último dia 14, já eram 125 povos indígenas atingidos pela Covid-19 na Amazônia Legal com 752 casos suspeitos, 18.761 confirmados e 572 óbitos.