Participe do nosso grupo no Whatsapp Participe do nosso grupo no Telegram
6 de dezembro de 2021
Ainda não é assinante
Cenarium? Assine já!
ASSINE
image/svg+xml

Luís Henrique Oliveira – Da Revista Cenarium

Por conta da falta de informações acerca do boletim médico com o estado de saúde de familiares internados com o novo Coronavírus, indígenas da etnia Sataré Mawé se reuniram em frente a ala dedicada a eles nas dependências do Hospital Nilton Lins, bairro Flores, Zona Norte de Manaus, na manhã desta quarta-feira, 3.

Para garantir atendimento diferenciado aos povos indígenas, o Governo do Amazonas e o Governo Federal instalaram uma  Ala Indígena com 53 leitos – 33 clínicos e 20 de alta complexidade incluindo UTI – no Hospital  Nilton Lins.

Com arco e flecha em mãos, nesta manhã, alguns reivindicavam ainda que não poderiam ser atendidos na ala indígena recentemente inaugurada. “Precisamos saber como funciona essa ala especial porque quando chegamos aqui, não somo recebidos e isso é uma questão de vida ou morte”, disse uma indígena de Terezinha Ferreira de Sousa, ao ressaltar que precisou atravessar o igarapé do Tarumã-Açu, para receber atendimento médica na capital.

Por sua vez, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam) afirmou que a porta de entrada na capital são as 13 unidades de urgência e emergência – 03 prontos-socorros: HPS 28 de Agosto, Platão Araújo e João Lucio; 09 SPAs e 02 UPA 24H –,  além das Unidades Básicas de Saúde (UBS), do Município.

O Hospital de Combate à Covid-19 Nilton Lins não funciona como pronto-socorro, por isso a Ala Indígena não pode receber diretamente o paciente de livre demanda. Assim como o Delphina Aziz, o hospital é referência para internação de pacientes encaminhados dessas unidades e dos hospitais do interior, reguladas pelo Sistema de Transferências de Emergências (Sister).

De acordo com recente atualização do boletim epidemiológico divulgado pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), o Amazonas totaliza 626 casos de indígenas contaminados com a Covid-19, sendo que desses, 34 não resistiram e morreram devido complicações.

Boletim médico

Sobre a demora no boletim médico, denunciada por alguns dos manifestantes, o Hospital Platão Araújo informa que a paciente cuja situação gerou os protestos deu entrada na unidade às 22h23 de terça-feira, 2, foi devidamente identificada como indígena, e horas depois foi transferida para o Hospital da Nilton Lins.

A  direção do hospital, por sua vez, definiu que a entrega de boletins para a família dos pacientes  da unidade é às 16h, porque pela manhã as equipes medicas estão concentradas no atendimento aos pacientes internados.

A paciente entrou às 4h da manhã e a família recebeu as informações do seu estado logo após a internação. Para atender a reivindicação, a direção decidiu estabelecer um horário diferenciado para indígenas, que será às 14h.