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19 de abril de 2021

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Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – O líder indígena André Sateré Mawé, cacique da aldeia Waikiru, localizada no bairro Tarumã, zona urbana de Manaus, relatou à REVISTA CENARIUM nesta segunda-feira, 5, que os moradores da comunidade temem transitar pela região. A razão seria por conta da falta de segurança, iluminação e asfaltamento nas ruas que dão acesso ao local. Segundo o cacique, já houveram mais de quatro assaltos nas últimas duas semanas.

“Nunca recebemos asfaltamento aqui e já estamos há quase seis meses sem iluminação pública. Elas [as luzes] estão todas estouradas, algumas queimadas. Foi previsto asfalto, mas até hoje não vieram e estamos cobrando, porque agora está difícil até mesmo de transitar de carro ou a pé por conta da buraqueira e lama que há aqui”, relatou o cacique.

A comunidade indígena, segundo o cacique, abriga 18 famílias. A maioria precisa utilizar o transporte público para se locomover a outros pontos da cidade. A aldeia fica localizada à margem direita do rio Tarumã-Açu, única fonte de água natural que os indígenas têm acesso. De acordo com André Sateré, a falta de segurança põe em risco a vida de trabalhadores, famílias e ainda um abrigo infantil na estrada Vivenda Verde.

Veja também: ‘Só queremos ir e vir sem medo’, diz líder indígena após MPF abrir investigação sobre invasão de aldeia em Manaus

“Há muita dificuldade por conta de muitos trabalhadores terem que pegar os ônibus de madrugada. Quando está escuro, os bandidos já vêm de moto e ficam aguardando [para assaltar] próximos às paradas de ônibus. Muitos já perderam o emprego com medo de ir, alguns jovens já até desistiram de estudar com a falta de segurança”, destacou.

Desafio

O período de chuva na Amazônia tem sido desafiador para as famílias e prejudicado os moradores da aldeia Waikiru. Conforme o relato da liderança indígena, a chuva tem provocado a destruição das travessas das ruas e a abertura de buracos nas vias já sem asfalto.

“As ruas principais têm muitas crateras se formando e, para completar, sítios que ficam na área de cima descarregam suas piscinas para o rumo de baixo e as pessoas que estão embaixo sofrem por essa água ajudar a cavar os buracos. O transitar tem sido desafiador. Já houve uma senhora que caminhando pela madrugada, por conta da escuridão, pisou em um buraco e, consequentemente, ralou o braço e machucou os joelhos”, lembrou.

Aldeia Waikiru fica à margem direita do rio Tarumã-Açu (Google Maps)

Violência

Somente nos dois primeiros meses deste ano, o Sistema Integrado de Segurança Pública (Sisp), da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), registrou 4.414 mil roubos em Manaus, uma queda de 39,4% em relação ao mesmo período do ano passado, quando houveram 7.289 ocorrências.

Casos de latrocínio, isto é, roubo seguido de morte, a pasta registrou 8 casos em janeiro e fevereiro de 2021, três a mais que os mesmos meses de 2020. Os dados estatísticos sobre os índices de criminalidade no Estado estão disponíveis no site da pasta de segurança.

O líder indígena faz denúncias sobre o descaso nos arredores da comunidade. (Reprodução/Acervo Pessoal)

No começo do mês de março deste ano, um jovem de 20 anos foi baleado na rua Arauanda, que fica ao lado da rua Cajubim, na aldeia Waikiru. Na ocasião, seis homens invadiram um sítio no local e o rapaz tentou impedir quando os suspeitos efetuaram os disparos, que atingiram de raspão a vítima.

Segundo o cacique André Sateré Mawé, os roubos estão cada vez mais violentos. “Eles [os assaltantes] têm sido cada vez mais violentos. A abordagem tem sido violenta. O bandido não vem só para assaltar. Agora eles estão dispostos a matar também e vêm bem armados, e é isso que tem trazido medo para a população. Chega 18h, as pessoas se isolam e não transitam mais na região por conta da escuridão e da segurança”, lamentou.

Sem retorno

A REVISTA CENARIUM entrou em contato com a Prefeitura de Manaus e questionou qual o planejamento do Executivo Municipal sobre o asfaltamento da via e a iluminação na região. E se há, ainda, previsão de instalação ou reestruturação de postes de energia nas ruas que dão acesso à comunidade indígena. Até o momento desta publicação, a reportagem não obteve retorno.