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2 de dezembro de 2021
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Cassandra Castro – Da Cenarium

BRASÍLIA – Uma iniciativa foi criada para dar mais força e representatividade à luta pelos direitos dos povos indígenas. O Parlaíndio Brasil está agora fazendo reuniões mensais, de forma virtual, devido à pandemia e já prepara o encontro de outubro, previsto para acontecer na última semana do mês. Lideranças tradicionais indígenas que representam os 305 povos originários do Brasil têm acento neste parlamento aberto com a missão de dar voz e visibilidade política aos povos originários.

O presidente de honra do Parlaíndio é o cacique Raoni Metuktire, líder indígena brasileiro da etnia Kayapó Mebengokrê, conhecido em todo o mundo por sua luta pela preservação da Amazônia e destes povos. O coordenador executivo do Parlaíndio Brasil, cacique Almir Suruí, é a principal liderança indígena do povo Paiter Suruí, de Rondônia, e também é reconhecido internacionalmente por suas ações e projetos de sustentabilidade em terras indígenas.

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A liderança indígena destaca que, a exemplo do que já acontece por meio das mobilizações de entidades ligadas à questão indígena, é fundamental também construir uma representatividade política.

“É muito importante o fortalecimento da representação indígena dentro do Congresso Nacional e em todas as demais instâncias. Queremos unir, através de alianças, todas as organizações indígenas no Brasil e que representam de forma genuína os direitos dos povos”, pontuou Suruí.

Mais representatividade

O coordenador do Parlaíndio detalhou ainda qual a importância de ter representantes indígenas na Câmara Federal, no Senado, nas Assembleias Legislativas, Câmaras Municipais e dentro do Executivo. “Só assim a sociedade vai entender que os povos indígenas também têm capacidade de contribuir para a construção e implementação de uma política que atenda todas as necessidades do povo brasileiro e garanta os direitos coletivos de cada segmento”, destacou.

Exemplo da importância dessa representatividade na política é o deputado federal eleito na década de 1980 e primeiro parlamentar indígena do Brasil, cacique Mário Juruna. Mais de 30 anos depois, a Câmara dos Deputados tem novamente um representante dos povos indígenas. Neste caso, uma mulher, a deputada federal Joenia Wapichana (Rede/RR).

Joênia Wapichana foi eleita deputada estadual por Roraima e é referência mundial em Direitos Humanos pela ONU (Reprodução/ONU)

O espaço aberto do Parlaíndio realiza também um trabalho de acompanhamento que inclui o levantamento de quais partidos têm lideranças indígenas filiadas e se esses líderes são respeitados dentro desses partidos, enfatizou Almir Suruí.

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“Muitas vezes, os partidos só usam as imagens das nossas lideranças, portanto, o nosso objetivo também é apoiar candidaturas indígenas na próxima eleição. Estaremos atuando para fortalecer essa instância do parlamento indígena do Brasil para que a gente possa ter este intercâmbio de política dentro do Congresso, em defesa dos direitos dos povos indígenas e dos trabalhadores brasileiros”, destacou.

A realização, em outubro, da reunião virtual do Parlaíndio vem numa sequência de outras mobilizações já realizadas pelos povos indígenas desde agosto deste ano, sempre com o objetivo de alertar toda a sociedade para as ameaças que rondam os direitos dos povos originários.

“Hoje, a gente precisa estar atento com a atuação do governo, do Judiciário, do Congresso, eles estão querendo aprovar leis de retrocesso à questão indígena, querem aprovar leis de interesse de exploração do território indígena através de mineração, arrendamento para agronegócio etc. Temos que estar atentos para manter forte essa luta pelos nossos direitos”, concluiu.