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26 de janeiro de 2022
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Marcela Leiros – Da Revista Cenarium

MANAUS – O ex-governador do Pará Simão Jatene confirmou que vai se desfiliar do PSDB no Estado, após 30 anos no partido. Em um vídeo nas redes sociais, Jatene justificou a saída como uma forma de repúdio ao apoio que o PSDB tem dado ao “atual governo”. Ele foi eleito governador três vezes pela sigla.

“Deixo o partido para ficar com aqueles que não se vendem e não se rendem, porque sonhos não envelhecem”, disse ele no vídeo. “Apoiar o atual governo ou participar de uma aliança sob o comando desse grupo, não é apenas renegar nossa história, não é apenas esquecer o passado, é retirar da nossa gente a esperança e o direito de ter futuro, e nós não podemos concordar com isso”. (Veja o vídeo abaixo)

Jatene afirma ter percebido que as atitudes e as manifestações de “alguns filiados agrediram princípios que deram origem ao partido” e critica, principalmente, o apoio que o PSDB tem dado ao atual governo estadual.

O ex-governador foi um dos fundadores do PSDB no Pará, eleito três vezes governador. Ele relembra, ainda, a trajetória dentro do partido e as contribuições à sociedade paraense, como a Alça Viária, energia na Transamazônica, o novo aeroporto de Belém, Complexo Feliz Lusitânia, Estação das Docas, Mangal das Garças, entre outras.

Cassação

Em 2017, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) cassou o mandato de governador de Simão Jatene e do vice, Zequinha Marinho. A dupla foi acusada de abuso de poder político e econômico, e Jatene está inelegível, até 2022.

Para os magistrados do TRE, na época, a chapa cometeu abuso de poder político e compra de votos na distribuição do Cheque Moradia durante os meses que antecederam as eleições para a escolha do chefe do Executivo estadual.

No período das eleições, o gasto com o Cheque Moradia mais que triplicou: a previsão de gastos com o programa foi ultrapassada em mais de 200% até o mês de outubro de 2014, quando foram realizadas as eleições.

Articulações

As articulações para 2022 já iniciaram. Nesta quarta-feira, 1º, Jair Bolsonaro se filiou ao Partido Liberal (PL), após quase dois anos sem partido. Essa foi a nona filiação do presidente da República, em 33 anos de carreira política. Em seu discurso, o presidente afirmou que, no PL, quer ajudar a compor bancadas para as eleições 2022, a fim de “fazer melhor para o Brasil”, mas também disse que o evento não servia para “lançar ninguém a cargo nenhum”.

Bolsonaro foi eleito presidente pelo PSL, em 2018, e deixou o partido em 2019, em meio a divergências com a cúpula da legenda. Na ocasião, chegou a articular a criação de um novo partido, o Aliança Pelo Brasil, que não passou da fase de coleta de assinaturas. Em três décadas, o atual presidente passou por PDC, PPR, PPB, PTB, PFL, PP, PSC e PSL.

Prévias do PSDB

No sábado, 27, o governador de São Paulo, João Doria, venceu em primeiro turno as prévias do PSDB para escolher quem disputará, pelo partido, a Presidência da República em 2022. Ele obteve mais que a maioria dos votos (50% mais um) e superou o governador Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio Neto.

Com a vitória, Doria passa a ser o pré-candidato do PSDB ao Palácio do Planalto. Uma convenção nacional do partido deve confirmar o nome do governador de São Paulo. A candidatura só será oficializada com o registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o prazo para inscrição de candidaturas se encerra em agosto do próximo ano.

Veja o vídeo do anúncio de Simão Jatene:

Vídeo de Simão Jatene anunciando a desfiliação. (Reprodução/ Instagram)