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18 de maio de 2021

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Carolina Givoni – Da Revista Cenarium

MANAUS – Levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geo-grafia e Estatística (IBGE) mostra que o Índice Nacional de Preços ao Con-sumidor (IPCA-15) acelerou 0,93%, em março desse ano. O aumento, considerado por especialistas como a prévia da inflação oficial, tem preocupado consumidores e o mercado regional, que, em alguns Estados, enfrenta barreiras como o isolamento geo-gráfico. Está cada vez mais difícil garantir a cesta básica.

Em termos práticos, a inflação atual de 2,21% – que já supera os 1,24% de março de 2015 – incide diretamente no preço da cesta básica, particularmente aos residentes da região Amazônica. Em comparação aos últimos 12 meses, a alta do IPCA já soma 5,52%, pois em março de 2020 a taxa foi de 0,02%. Essa alta também é influenciada pelo aumento dos combustíveis, que apresentou alta de 0,48%, em fevereiro.

Logística e gasolina

Ainda de acordo com a pesquisa do IBGE, nove grupos de produtos e serviços foram pesquisados. Destes, oito apresentaram alta neste mês, sendo o setor de transportes mais afetado, com alta de 3,79%. Isso representa um acréscimo de 0,76 pontos percentuais em relação a fevereiro, com 1,11%.

Os “vilões”, mais uma vez, são os combustíveis, que detêm juntos 11,63% de aumento. Individualmente, a gasolina detém um crescimento médio de 11,18%, fechando o mês de março com 0,56% a mais, em seu nono aumento consecutivo. O etanol também apresentou alta de 16,38%, bem como o óleo diesel com 10,66% e o gás veicular com 0,39%.

Cesta básica

O preço da cesta básica é monitorado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). A pesquisa divulgada no dia 5 de março apontou que, nos últimos 12 meses, ou seja, entre fevereiro de 2020 e fevereiro de 2021, o preço do conjunto de alimentos básicos teve alta em todas as capitais onde a pesquisa é realizada.

A consequente subida da inflação e dos combustíveis também foi destaque da pesquisa EXAME/IDEIA, em fevereiro de 2021, que mostrou que 95% da população já sentiu os reflexos da alta de preços de maneira geral. Essa percepção é alta em todas as faixas salariais, sendo mais sentida no grupo dos que ganham entre um e três salários mínimos (98%).

Menos itens no carrinho

Para a aposentada de 73 anos Sônia Marília, que viveu o frenesi das remarcações de preços no supermercado em meados de 1980, quando a inflação batia a simbólica marca de 100% ao ano, diz que a pandemia de Covid-19 retoma o sentimento de incerteza vivido na época.

“Praticamente nossas economias não valiam mais nada. Você reservava uma quantia para comprar alimentos e corria o risco de não comprar mais o que pretendia com o valor nas mãos. Era assustador. O momento atual é um pouco parecido, mas a sensação de perda do poder de compra é a mesma”, compara Sônia.

“Vou ao supermercado e trago cada vez menos coisas. O salário não consegue mais cobrir as despesas, dessa forma, precisamos ser equilibristas e manter as despesas na rédea”, comenta a aposentada.

A aposentada Sônia Marília diz que o momento atual lembra as constantes remarcações de preços dos anos 1980 (Ricardo Oliveira/Revista Cenarium)

Aumento em cascata

De acordo com o economista Marcus Evangelista, o momento em que há uma flexibilização do preço dos combustíveis desfavorável ao consumidor, tem como resultado produtos e serviços cada vez mais caros. “Todos sofremos a partir do momento em que estamos comprando os produtos mais caros, principalmente, em Manaus. Tudo que é consumido aqui depende de um frete e este pode ser feito de vários modais altamente influenciados pelo preço dos combustíveis”, disse.

O economista dá dicas sobre alternativas para reduzir os impactos financeiros. “O que fazer? Procurar produtos que estejam em safra. Pois com a quantidade ofertada sendo maior, a tendência é que os preços acabem diminuindo e, assim, favorecendo seu bolso”, completa Evangelista.

“Vou ao supermercado e trago cada vez menos coisas. O salário não consegue mais cobrir as despesas” Sônia Marília, 73 anos, aposentada.