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25 de janeiro de 2022
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Com informações da assessoria

O Pará possui três tipos de áreas protegidas (APs): Terras Indígenas, Unidades de Conservação e Territórios Quilombolas, e todos esses são espaços destinados à conservação da natureza e ecossistemas, bem como dos valores culturais. Neste mês de dezembro, as Unidades de Conservação (UCs) do Norte do Pará completam 15 anos e o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) em parceria com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) e o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio) desenvolveram um mapa com detalhes sobre território, população, atividades econômicas, etc, com o objetivo de ser uma ferramenta informativa e educativa.

Jakeline Pereira, engenheira florestal e pesquisadora do Imazon relembra que em 2006 cinco UCs no Norte do Pará foram criadas: as Florestas Estaduais (Flotas) de Faro, Trombetas e Paru, a Estação Ecológica (Esec) Grão Pará e a Reserva Biológica (Rebio) Maicuru. Atualmente, na Amazônia Legal há 334 Unidades de Conservação; destas, 145 federais e 189 estaduais. Só no Pará, são 91 Unidades de Conservação: 27 estaduais, 52 federais e 12 municipais, somando 423.360,76 quilômetros quadrados, ou seja, 34% da área total do estado.

No Norte do Pará, situam-se ainda outras APs, declara Jakeline que diz que será possível conhecer pelo mapa onde estão situadas: cinco Terras Indígenas, quatro UCs federais, outras duas UCs estaduais e sete Territórios Quilombolas, que juntos somam mais de 22 milhões de hectares protegidos na Amazônia paraense. “As Áreas Protegidas do Norte do Pará somam 22,3 milhões de hectares. Trata-se do maior bloco de florestas tropicais legalmente protegidas do planeta, cuja extensão equivale ao território do estado do Paraná. Em conjunto com as Áreas Protegidas dos estados do Amapá e Amazonas, formam o maior corredor de biodiversidade do mundo. Além disso, estão inseridas no Centro de Endemismo Guiana, região que apresenta, aproximadamente, 40% de sua fauna e flora endêmicas – que só existem nesse local”, celebra.

A especialista aposta no mapa, como ferramenta de aproximar a sociedade desta realidade, para que possam se sentir pertencentes e desenvolvam o mesmo sentimento de necessidade de proteção que os povos tradicionais têm nas localidades em que vivem. “O mapa é uma estratégia de divulgação. Acreditamos que a sociedade precisa conhecer para despertar o sentimento de pertencimento para a proteção. As pessoas precisam saber que temos um imenso patrimônio público, que produz madeira, castanhas, remédios, ar puro, água limpa, chuvas, espaços de lazer, entre outros serviços. Ainda, guardam um rico patrimônio cultural, com os povos indígenas e quilombolas; e arqueológico, através das pinturas rupestres com registro mais antigo do homem na Amazônia, com 12 mil anos”, finalizou a engenheira florestal.

Joerisson Fulter Nunes, 38 anos, é professor na Comunidade do Português, na Floresta Estadual de Faro. Ele acredita na importância da floresta, do desenvolvimento sustentável e acredita que todos possam ser colaboradores da floresta, promovendo o desenvolvimento sustentável. “É fundamental para o equilíbrio do clima, qualidade de vida. Daí também a importância de conservá-las. Nesta UC, desenvolvemos de forma sustentável o projeto de TBC. A questão da coleta de resíduos sólidos, uso de madeira caída. Digamos que não sou um guardião, mas sim, um colaborador, de modo a promover o desenvolvimento sustentável por meio dos recursos da rica  biodiversidade que temos na UC, de tal modo que possamos olhar isso, além da visão de mercado, como um patrimônio  para a vida humana e o equilíbrio ambiental”, comentou.

Sobre o mapa, Nunes explica que agora faz parte e registra a importância e relevância das comunidades tradicionais e áreas protegidas e mostra onde estão os verdadeiros guardiões da natureza. “É importantíssimo, no contexto ambiental e humano. Ainda mais importante para os povos tradicionais inseridos nessas áreas. Eles, de fato, tem uso direto e, de modo, são os verdadeiros guardiões desses espaços, configurando a grande extensão deste corredor ecológico da Amazônia, chamado Calha Norte. O mapa retrata a relevância social, econômica, ambiental e de sobrevivência”, explicou.

“Como amazônida, um banho de rio, de igarapé de águas limpas, a calmaria do lugar, o barulho da floresta… são algumas das coisas que podemos desfrutar da natureza. Sem contar com os produtos que a própria floresta nos beneficia. O contato com o Imazon é de recíproca parceria, pois, para a efetivação dos projetos que desenvolvemos na Flota de Faro, o Imazon nos dá apoio na captação de recursos e suportes, juntamente com outros parceiros. O Imazon tem sido nosso principal parceiro no monitoramento, gestão e formação de acordos para uso sustentável para a população tradicional da Flota de Faro”, finalizou.