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28 de janeiro de 2022
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Carolina Givone – da Revista Cenarium

MANAUS – O Fórum Nacional Permanente em Defesa da Amazônia (FNPDA), divulgou na manhã desta segunda-feira, 13, um manifesto expressando as preocupações no contágio do coronavírus pelas populações da Amazônia. No documento, a entidade alerta o Poder Público Federal sobre carência de equipamentos de proteção, insumos médicos e sugere ações de prevenção e assistência no combate à doença.

Segundo Dione Torquato, representante do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), aponta que cerca de 123 instituições assinam o documento. O grupo é composto, por organizações sociais, entidades representantes dos povos indígenas, extrativistas, quilombolas e ribeirinhas e da zona rural.

Um dos pedidos do manifesto, é voltado a uma comunicação especifica para a região ribeirinha, visto que algumas as áreas não possuem sinal de telefone e internet. “Tradicionalmente, as populações tradicionais já são marginalizadas de algumas ações do poder público. Uma dessas divisões se dá pela questão étnico racial, mas também pelo distanciamento geográfico dos centros urbanos. Muitos moradores sem saber a maneira correta para solicitar os R$600 do auxílio emergencial, tem se deslocado até os bancos. Pondo a própria vida e do povoado em risco, em possíveis aglomerações”, comenta.

O encaminhamento de medicações, máscaras e kits de teste rápido e materiais de higiene; bem como a assistência alimentar, às famílias carentes também é requisitada no manifesto, com propósito de evitar sua vulnerabilidade epidemiológica e deslocamento. O acesso imediato ao saneamento básico para as áreas sem cobertura de esgotamento sanitário também é lembrado por Torquato.

Dione Torquato defende a inclusão dos povos extrativistas nas ações de prevenção contra a pandemia de covid-19 – Foto: Maysa Leão

“Com a pandemia instaurada na capital e nos municípios do interior, nosso receio é de que o poder público esqueça das áreas rurais e afastadas. Por essa razão, a FNPDA solicita o deslocamento de equipes de saúde às localidades, a fim de evitar a saída dessas populações a cidades já atingidas pelo vírus”, explica Torquato.

Unidades de conservação

O fortalecimento do subsistema de saúde indígena, por meio da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) e as Casas de Saúde Indígena (CASAIs), foi ressaltado. “Muitas Unidades de Conservação (UC), possuem sobreposição de território com áreas indígenas. Portanto, se faz necessário recondicionar esses atendimentos, para evitar o contágio entre os povos isolados e os que têm acesso livre à cidade. Lembrando esses locais (casas de saúde), possam se tornar lugares aglomerados pela alta demanda. Dentro das UCs, por exemplo, existem com 26.431 famílias em 1030 comunidades”, defende Dione.

As 42 UCs, estão sob responsabilidade federal e municipal, sendo oito de proteção integral e 34 de uso sustentável, totalizando 18.907.378,34 hectares de floresta legalmente protegidos.

Por fim, a gestão sugere a criação de um comitê virtual, coordenado pela Casa Civil da Presidência da República, com participação Interministerial e das organizações que assinaram o manifesto, para gerir as políticas e programas públicos de prevenção e assistência, durante a pandemia.