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22 de janeiro de 2022
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Eduardo Figueiredo – Da Revista Cenarium

A pandemia de Covid-19 já dura quase dois anos e, desde que o vírus se espalhou pelo mundo, a população foi obrigada a conviver com insegurança, medo, mudanças constantes na rotina, angústia, incerteza; além de ter sentido também os fortes impactos nas questões políticas e socioeconômicas. Por conta disso, especialistas da área de saúde da mente chamam a atenção para a campanha ‘Janeiro Branco’, que neste ano tem como tema “O mundo pede saúde mental”.

De acordo com a psicóloga clínica Luciely Botelho, “a campanha ocorre no primeiro mês do ano, porque em termos simbólicos e culturais, as pessoas estão mais propensas a pensarem em suas vidas, em suas relações sociais, em suas condições de existência, em suas emoções e em seus sentidos existenciais”. Ela afirma, ainda, que as restrições impostas pela pandemia causaram danos à saúde mental da humanidade.

“As pessoas foram obrigadas a trocar a vitalidade pujante das ruas pela privacidade dos lares, num movimento de enclausuramento e confinamento a que foram levadas pela necessidade do momento. Era isso ou a vida estaria em risco”, explica a especialista.

Luciely Botelho é especialista em psicologia hospitalar, clínica, atendimentos de casais, crianças e adolescentes (Acervo pessoal)

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), são diversos os fatores que podem colocar em risco a saúde da mente; entre eles, rápidas mudanças sociais, condições de trabalho estressantes, discriminação de gênero, exclusão social, estilo de vida não saudável, violência e violação dos direitos humanos. De modo geral, a psicóloga ouvida pela CENARIUM garante que a população de baixa renda foi a mais afetada psicologicamente.

“Crianças e adolescentes em situação de rua também foram afetados pela pandemia e, no modo geral, todos com rendas baixas foram mais afetados”, frisa Luciely.

Aumento nos atendimentos

Uma pesquisa da plataforma de saúde Doctoralia – presente em 13 países – que avaliou o agendamento de consultas com psicólogos e psiquiatras, constatou que a procura por esses profissionais teve aumento de cerca de 155% entre 2020 e 2021.

“A procura foi grande devido à pandemia. Decretado quarentena, a busca por atendimento psicológico, principalmente online, foi mais procurado, pelo fator do medo, tanto de pegar a Covid-19, quanto de que algum parente ficasse doente; e a própria questão do distanciamento social, para aquela parcela da população que realmente está aderindo”, disse a psicóloga, em entrevista à REVISTA CENARIUM.

Para aliviar a dor e os traumas, a profissional indica a escuta imediata com psicólogos. “O procedimento necessário é uma escuta imediata, para aliviar a dor e os traumas causados, (e também) atendimento via celular, no qual os pacientes se sentem mais seguros, e alguns que preferem ter atendimento com o psiquiatra, que acredita no uso dos medicamentos controlados, ou roda de conversa online”, ressalta.

Síndrome de Burnout

Desde 1º de janeiro de 2022, a Síndrome de Burnout foi incluída na Classificação Internacional de Doenças (CID) da OMS e passou a ser uma síndrome ocupacional. A nova classificação relaciona, definitivamente, a síndrome ao ambiente de trabalho e responsabiliza as empresas, direta e indiretamente, pela saúde emocional dos seus colaboradores.

Os principais sintomas do distúrbio são dores musculares e de cabeça; irritabilidade; alterações de humor; falhas de memória; dificuldade de concentração; falta de apetite; agressividade e isolamento. O psicólogo da Doctralia, Carlos Alexandre dos Santos, fala sobre a influência do home office na síndrome de Burnout.

“Manter a rotina em casa se mostrou menos eficiente, pois, com uma maior dificuldade de estabelecer um horário produtivo, como no ambiente de escritório, com horário de início e pausas para o almoço e descanso, a quantidade de trabalho se torna sufocante, levando o paciente à exaustão”, comenta.

Psicólogo com experiência em terapia cognitivo-comportamental, transtornos de ansiedade, traumas psicológicos e risco de suicídio (Reprodução/Doctralia)

Com a ajuda profissional é possível sair da autossabotagem, por meio de terapia cognitiva, prática de exercícios e ações prazerosas que não estejam relacionadas ao trabalho. “Dentro do processo de tratamento, ela (a pessoa) conseguirá identificar os sintomas iniciais da burnout, no seu cotidiano, pelo autoconhecimento, utilizando os métodos aprendidos para recuperar o equilíbrio”, finaliza o especialista.