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23 de outubro de 2021
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Priscilla Peixoto – Da Cenarium

MANAUS – Com o objetivo de ampliar conhecimentos, linguagens audiovisuais e o “fazer cinema” na Amazônia, o jornalista Z Leão é o convidado de honra e responsável em ministrar a Oficina de Alfabetização Audiovisual durante a programação do Festival da Cinemateca Paulo Amorim, na cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, realizada até sexta-feira, 8.

Do Amazonas para o Sul do País, um dos principais focos do produtor e jornalista são as questões indígenas, socioambientais e reflexões voltadas à biodiversidade e vivência na Amazônia, estabelecendo, assim, um intercâmbio cultural aos participantes, não deixando de compartilhar a evolução da sétima arte nas últimas décadas.

“Esse intercâmbio é uma necessidade pontual no processo de formação. Os olhares do saber precisam de trocas no seu processo da busca pela erudição. A forma de aprender cinema precisa ser diversificada, ter novas receitas de se ensinar o mesmo conhecimento. O que se torna igual nesse processo é o prazer do aprendiz, do facilitador e o cinema. Do preto e branco sem som ao colorido falante e da película ao digital, tudo no cinema foi uma evolução”, declarou Z Leão à CENARIUM.

Z Leão e os alunos da oficina de cinema no município de Tefé, no Amazonas (Reprodução/Instagram)

Durante as aulas, os alunos trabalham todas as etapas de uma produção audiovisual, desde a criação do roteiro, noções de direção até a gravação, finalização e exibição de curtas-metragens. “Durante essa minha temporada aqui [no Rio Grande do Sul], são sete dias fazendo oficinas em cada cidade, quatro dias de teoria, dois dias de prática, filmando, e mais um dia de exibição e entrega de certificado”, explicou o jornalista.

Diversidade e representatividade amazônica

Para o diretor do Instituto Estadual de Cinema do Rio Grande do Sul, Zeca Brito, a participação de um profissional do Norte do Brasil enriquece e agrega conhecimentos ímpares compondo, por meio da produção e trabalho audiovisual, o imaginário e a diversidade do cinema nacional.

“Ficamos muito honrados em receber um profissional como o Z Leão, que é tão importante para a história do cinema amazonense. Ele é protagonista, representa seu território, seu Estado e, principalmente, a produção amazônica. Para o Sul ter um professor que praticou o saber e audiovisual a partir do território amazônico, em contato com as comunidades indígenas e ribeirinhas e pode obter por meio dele um pouco da cultura, tocando de alguma forma nossos alunos e cidadãos gaúchos”, explanou Zeca Brito.

Personagem da alfabetização audiovisual brasileira

O diretor de cinema relembra, ainda, o contato e bagagem de Z Leão por conta da convivência que teve com o teórico de cinema, cineasta, escritor brasileiro e considerado um dos maiores críticos cinematográficos do País, Jean-Claude Bernardet.

“Ele nos remete a alguém com o pensamento crítico e acadêmico mais elevado produzido no Brasil, com a reflexão e a parceria de vida que ele tem com Jean-Claude Bernardet. Foi por meio deste teórico da Universidade de São Paulo (USP) que conhecemos o trabalho do Z e Jean-Claude entende que ele ensina, de uma maneira democrática e acessível, tornando o audiovisual algo mais próximo da realidade das pessoas”, pontuou.

Oficina com alunos de Bagé, no Rio Grande do Sul (Reprodução/Instagram)

Ele ressalta ainda o olhar e a maneira direta e afetiva que o amazonense aborda o cinema, levando o conhecimento a tantas pessoas, de diversas regiões do País, que faz do produtor um personagem da alfabetização audiovisual brasileira.

“A gente acredita que ele ensina os alunos a ver esse universo de uma maneira diferente, por meio da produção de imagens, uma vez que entende da engrenagem cinematográfica e ferramentas necessárias, seja curta-metragem, videoclipe ou longa-metragem”, finalizou.

Breve histórico

Nascido no município de Anori, interior do Amazonas, distante a 234 km de Manaus, o jornalista que até então assinava como Júnior Rodrigues, começou a trabalhar no universo cinematográfico aos 15 anos, em uma produção alemã realizada em Barcelos.

Aos 53 anos, Z Leão possui no currículo alguns feitos que marcaram o circuito cultural no Amazonas e fora dele. O jornalista é o idealizador do Festival UM Amazonas e do Curta 4. Já fomentou produções em Rondônia, em Roraima, duas no Uruguai, na Venezuela, mais de 500 curtas nos 30 municípios do Amazonas e 600 em Manaus, além de mais de 200 oficinas e cursos de cinema para mais de 5 mil pessoas.

Durante anos também foi responsável por um dos principais locais voltado à aprendizagem e formação de profissionais do audiovisual local, a Associação de Mídias Audiovisuais e Cinema do Amazonas (Amacine Futuros Cineastas), um coletivo de audiovisual criado com o intuito de formar profissionais capacitados para produzir suas obras e exibi-las em mostras organizadas por Z e a equipe. O coletivo marcou história, sendo referência em revelar e despertar talentos no Amazonas.

Recentemente, Z Leão gravou o primeiro longa-metragem da carreira e está à frente da produtora “Z Filmes”. O longa, gravado em vários municípios do Amazonas, está em fase de finalização e, em breve, estreia nas salas de cinemas em circuito nacional.