30 de outubro de 2020

Dólar

Euro

Manaus
23oC  29oC

Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – Profissionais da comunicação de dez Estados do Brasil lançaram na última terça-feira, 15, uma plataforma voltada à educação infantil para ajudar pais e filhos durante a pandemia. Além das reportagens, os comunicadores lançam podcasts, uma espécie de programa multimídia para internet.

O “Lição de Casa, uma investigação jornalística“, é coordenado pela jornalista pernambucana Joana Soares e começou a ser criado em meados de junho buscando contar histórias com a diversidade do vocabulário brasileiro. O projeto tem a colaboração de dois amazonenses, os jornalistas Bruno Tadeu e Djuena Tikuna.

À REVISTA CENARIUM, Bruno Tadeu contou que a primeira etapa do projeto traz reportagens que tratam dos impactos sofridos pelas famílias com crianças pequenas que vivem o dilema da volta às aulas e o fechamento das escolas.

Segundo o profissional, as consequências da quarentena são retratadas em diferentes realidades, sob olhares de jornalistas independentes espalhados por todo o Brasil, fazendo com que a diversidade seja o diferencial do Lição de Casa.

“São várias realidades desse impacto com espaço para fala de especialistas, que também entrevistamos sobre o que eles acham a respeito do retorno das aulas. É um material muito vasto, criado numa ocasião onde jornalistas, de forma bem espontânea, acabaram se reunindo e geraram esse projeto”, detalhou.

Isolamento rigoroso

No Amazonas, o jornalista decidiu contar a história de Gabriela Repolho, uma mãe autista cujos filhos também têm diagnóstico para Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), e que vivem de forma isolada, seguindo rigorosamente a quarentena para evitar o contágio da pandemia do novo Coronavírus. O profissional relatou à REVISTA CENARIUM que fez a reportagem totalmente de forma remota.

“Eles estão seguindo um isolamento tão rigoroso que nem mesmo o pai (pode ir vê-los), pois o pai das crianças mora com pessoas que não respeitam o isolamento. Eles se veem à distância, pelo portão, às vezes, ou por videochamada. Mas a Gabriela colaborou muito com a pauta, da forma remota, enviando relatos. Ela mesmo enviou as fotos das crianças, concedeu depoimentos pelo WhatsApp. Tivemos usar o meio remoto para seguir com o material”, detalhou.

Experiência aplicada em casa

Pai da pequena Marina, de 4 anos, Bruno enfatizou a importância em poder observar como as outras famílias, com crianças pequenas, também estão sendo vivenciando o período pandêmico causado pela Covid-19.

Durante a quarentena, ele contou que teve o privilégio de contar com o apoio de sua sogra, que é formada em pedagogia, para continuar mantendo a filha estimulada a estudar. A produção das reportagens fez com que ele adquirisse novas experiências e pudesse aplicar em casa.

“Se é difícil para gente toda essa limitação, o isolamento, para criança, é em dobro, pois ela tem uma necessidade maior do convívio, da interação com as outras crianças. São vários casos de impactos, alguns até subjetivos e não tão perceptíveis, mas todas foram muito impactadas e a minha não foi muito diferente. O grande aprendizado disso saber lidar, compreender mais, dedicar um tempo a mais para poder ouvir, propor novas soluções com ela, dialogar. Foi muito engrandecedor, conhecer realidades de todo o Brasil”, pontuou.

Para o profissional, a inspiração para produção das reportagens está ligada à conexão de projetos sociais independentes, regados a boas práticas, imparcial, apurado com especialistas, observador e que busca o diferencial.

“O que me inspira está totalmente conectado a esse projeto, que é dar voz à sociedade de forma geral, não só a plataformas, mas pessoas, figuras, que estão ali, de frente, sofrendo, diariamente, problemas acarretados nessas pautas que a gente apura. Isso me faz ficar realizado”, finalizou.

Contribua para que o “Lição de Casa” siga existindo, acesse aqui.

COMENTÁRIOS

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.