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24 de novembro de 2021
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Com informações do InfoGlobo

GLASGOW — India Logan-Riley, ativista indígena da Nova Zelândia de 25 anos, chamou atenção dos líderes mundiais presentes à abertura da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP 26, neste domingo, 31. A jovem foi a última a falar na cerimônia inaugural do evento. Riley contou como os incêndios florestais na Austrália criaram uma névoa na Nova Zelândia no ano passado. E fez um apelo apaixonado para que a voz dos povos indígenas seja ouvida em todo o mundo, afirmando que eles têm soluções para enfrentar o aquecimento global.

“Pertenço a um povo que vive na parte leste da Ilha Norte de Aotearoa, colonialmente conhecida como Nova Zelândia.  Em fevereiro de 2020, incêndios florestais atingiram fortemente a Austrália. A nuvem de fumaça era tão forte, que o céu virou laranja, na minha região. Eu estava ajudando meu irmão menor, que estava no hospital, e os médicos nos disseram que havia muita gente hospitalizada com problemas respiratórios”, disse India em Glasgow. — Naquele momento, nossa vida foi afetada pelos impactos da mudança do clima em outro País.

Ela disse que a terra de seus ancestrais foi roubada pela Coroa britânica, há mais de 200 anos, para extrair petróleo e outras riquezas.

“A primeira vez que sofri pressões violentas foi quando tinha 10 anos, e o conselho local queria construir uma estrada na nossa região. Cresci nestas negociações, onde passei meus 20 anos fazendo lobby e andando por corredores como estes. Toda vez que falo, faço o mesmo discurso e venho sendo aplaudida e premiada enquanto a minha comunidade continua sofrendo com o avanço do nível do mar e incêndios florestais. Repito as mesmas palavras: aumento do nível do mar, incêndios florestais, perda de biodiversidade”, seguiu.

India continuou:

“As emissões de gases-estufa continuam crescendo. Tenho a mesma idade destas negociações. Eu cresci, me formei, me apaixonei, me desapaixonei, comecei e abandonei passos na minha carreira, enquanto o Norte global e empresas moldam o nosso futuro. São comunidades como a minha que sabem o que fazer”, afirmou.

A jovem disse ainda:

“O financiamento tem que ser distribuído, para financiar as perdas e danos [de locais já atingidos pelas mudanças do clima] e a transição justa”, completou, referindo-se às ilhas do Pacífico que já estão perdendo partes de seus territórios para o mar.