20 de setembro de 2020

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Luciana Bezerra — Da Revista Cenarium*

O estudante Siraphop Masukarat, 18 anos, não imaginava que uma simples ida ao banheiro de sua casa, na Tailândia teria seu pênis mordido por uma cobra píton. O fato para lá de inusitado ocorreu após o jovem sentar no vaso sanitário. 

De acordo com informações do jornal britânico DailyMail, Siraphop disse ter sentido uma dor no órgão genital após se sentar no vaso. Quando olhou para baixo percebeu as mandíbulas da cobra presas na ponta do seu pênis e começou a gritar pedindo ajuda. A mãe do jovem tailandês tentou acalmá-lo até que o socorro chegasse.

O estudante foi levado ao hospital após o incidente e levou três pontos no local da picada, além de receber tratamento com antibióticos. “Era apenas uma pequena cobra, mas sua picada foi tão forte. Espero que meu pênis possa se recuperar”, disse o jovem ao jornal DailyMail. 

A cobra de 1,20m de comprimento foi capturada mais tarde e devolvida a uma região de mata.

O que diz o especialista

Gabriel Salles Masseli, biólogo e herpetólogo [especialista em répteis e anfíbios] do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), explicou à REVISTA CENARIUM que o fato ocorrido com o jovem tailandês é mais comum do que se imagina. No entanto, ressalta o herpetólogo, que, dificilmente, o animal conseguiria percorrer toda a tubulação até chegar ao vaso sanitário.

Segundo Masseli — que estuda répteis e anfíbios há mais de 15 anos —, nos países asiáticos é comum as pessoas criarem essas espécies de cobra como animal doméstico.

“A cobra píton é uma espécie aquática, assim como a jiboia e a sucuri. Mas, dificilmente, ela consegue percorrer tubulações. Pode ser que ela tenha adentrado o local pela casa do estudante e se alojado no vaso. No entanto, a pessoa, ao sentar no vaso, não percebeu que o animal estava lá. Mas, claro, nada é impossível. Contudo, pelo diâmetro do vaso, acho difícil ela ter vindo pela tubulação”, explicou o biólogo.

Gabriel Masseli explica que, dependendo do diâmentro, dificilmente as cobras aquáticas conseguem percorrer a tubulação até chegar ao vaso sanitário (Divulgação/Inpa)

Masseli ressalta ainda que o mais perigoso deste caso foi a mordida da píton, cuja espécie tem uma dentição áglifa [onde todos os dentes são voltados para trás], apesar de ela ser considerada um animal não peçonhento. No entanto, a mordida é muito forte o que dificulta a saída da presa de dentro da boca da cobra.

“Esse processo é perigoso porque como a dentição da píton é áglifa, a medida que a cobra vai mordendo, mais fixa a presa fica dentro da boca. Esse jovem correu o risco de ter o órgão genital decepado pelo animal. Muita sorte eles terem conseguido retirar a cobra sem muitos danos. Outro fator importante é a infecção causada na área, pois, dependendo da bactéria que o animal apresentava na boca, a lesão poder ter complicações mais graves”, esclarece o herpetólogo.

Gabriel alerta também sobre o desejo das pessoas em criar animais silvestres, como foi o caso do estudante de Brasília, picado por uma cobra-naja. Segundo ele, esse costume que a sociedade tem de possuir esses animais como PET ou produto é danoso, principalmente para o animal.

“Infelizmente existe um mercado negro para esses animais silvestres. Isso é ruim porque acaba ocasionando diversos problemas, tanto para quem adquire o bicho quanto para o próprio animal. Voltando ao caso do estudante tailandês, possivelmente o animal era criado por alguém da vizinhança, fugiu e acabou entrando na casa do rapaz sem que ninguém percebesse e se instalou no vaso, causando o incidente. Acabei de ver a foto da píton e, pelo tamanho dela, posso garantir que ela não veio pela tubulação”, concluiu.

(*) Com informações do DailyMail

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