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7 de dezembro de 2021
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Da Revista Cenarium

A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) divulgou, nesta quinta-feira (25), um levantamento apontando a obesidade como principal comorbidade identificada em pessoas que desenvolvem formas graves da Covid-19 e evoluem para óbito, na faixa etária de 20 a 39 anos. O panorama refere-se ao período entre 1º de janeiro e 18 de março de 2021.

Segundo dados apresentados pela FVS, a obesidade é o fator de risco mais frequente, identificada em pelo menos 15,8% das mortes por Covid-19. A diabetes vem em segundo lugar com 11,1% e as cardiopatias em terceiro, com 10,9% das mortes.

Conforme o diretor-presidente da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), a carga viral nesses pacientes é muito maior, devido ao tecido adiposo elevado e um estado de inflamação já crônico. “Pacientes com obesidade possuem um tecido adiposo mais acentuado e esse tecido é receptivo à infecção e à multiplicação do vírus. Então essas pessoas têm uma maior multiplicação e um tempo maior de permanência do vírus no seu organismo”, explicou Marcus Guerra.

De acordo com o infectologista, a dinâmica respiratória é prejudicada em pacientes obesos. “Esses pacientes não possuem tanta expansibilidade torácica nem diafragmática, o que já causa um certo grau de dificuldade respiratória, mesmo sem a infecção”, detalha, acrescentando a dificuldade no manejo do paciente.

‘Faltam estudos clínicos comprobatórios’

Para o epidemiologista Jesem Orellana, do Instituto Leônidas e Maria Deane (Fiocruz Amazônia), no entanto, embora considere uma hipótese plausível a obesidade ser um fator de risco para jovens adultos, não há estudos clínicos que comprovem isso. “No meu conhecimento, algumas comorbidades estão mais relacionadas à mortalidade por Covid-19, como hipertensão, diabetes e obesidade, especialmente em maiores de 60 anos. Em epidemiologia, quando falamos em fator de risco nos referimos a possíveis fatores causais e, para isso, precisamos de estudos que comprovem essa possível relação causal e seus possíveis mecanismos, algo que realmente desconheço, embora seja uma hipótese plausível”, ponderou.

De acordo com Orellana, não se trata de um estudo científico, mas de uma análise descritiva que não implica, necessariamente, em causalidade. “Não vejo como um estudo que teria de comprovar a relação causal entre essas comorbidades e os casos graves ou óbitos”, afirmou.

Demais faixas etárias

Ainda de acordo com a FVS-AM, mesmo não sendo o fator principal de risco, a obesidade também figura com alto índice nas mortes por Covid-19 ocorridas entre pessoas com idades entre 40 e 49 anos, com 14,5% dos casos.

Conforme os dados divulgados no Estado, é a terceira comorbidade dessa faixa etária, ficando atrás da diabetes, com 18,5% e das cardiopatias, com 17,6%.

A obesidade surge em quarto lugar quando observados os óbitos por Covid-19 na faixa etária de 50 a 59 anos, ocorrendo em 9,2% dos casos. As três comorbidades mais recorrentes nessa faixa etária são diabetes (30%), cardiopatias (26%) e hipertensão (15,3%), conforme o estudo da FVS-AM.

Segundo o diretor-presidente da FMT, é possível constatar a prevalência da obesidade nos casos graves de Covid-19 no cotidiano dos hospitais. “Pacientes obesos precisam mais de internação, vão mais para as UTIs, precisam de ventilação mecânica e um percentual expressivo dos óbitos tem sido vistos em pacientes obesos”, afirma.

O infectologista ressalta, ainda, a relação da obesidade com o desenvolvimento de outras doenças consideradas comorbidades, como a hipertensão e as insuficiências vascular e cardiovascular. “Seguimos orientando a população sobretudo, para a necessidade de se criar hábitos mais alimentares saudáveis, além da prática de exercícios físicos”, alerta.