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19 de janeiro de 2022
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Maria Luiza Dacio – Da Revista Cenarium

MANAUS — Foi bem difícil passar pelo ano de 2021 sem feridas ou, no mínimo, alguns doloridos arranhões. A áurea do novo ano, cheia de desejos e promessas, deixa de lado muitas das dores que passamos com uma frequência maior que deveríamos.

Esses desafetos são colocados de lado, durante a virada, mas sempre retornam de alguma forma. Para o sociólogo e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Gilson Gil, o Ano Novo é uma instituição e uma formalidade. Contudo, possui um aspecto simbólico importante, pois sinaliza renovação e esperança.

“A economia está muito ruim. Inflação, desemprego e todos precisam de forças para seguir adiante. Além disso, houve muitas mortes e decepções que trouxeram o desânimo. É necessário refletir e tentar buscar caminhos para aprendermos com tudo que houve nesses últimos dois anos, e tentarmos achar forças e soluções para tais problemas”, conta.

“E, sem dúvidas, apostarmos que a política mudará de feição, deixando de ser tão virulenta. E que as eleições apontem caminhos reais e concretos para sair de tais encruzilhadas”, lembra.

O professor lembra, também, que as cobranças acontecem por parte da sociedade porque muita coisa não mudou. “Políticos aumentaram cotas, verbas e fundos. Muitas pessoas não se vacinaram e se negam. Ainda sofremos de muitos males antigos. Mas temos que esperar e torcer por uma mudança de mentalidade que faça as pessoas olharem o mundo ao redor com mais profundidade. A pandemia teve aproveitadores e é preciso que o tempo político sirva para que se faça uma seleção dessas pessoas”, explica.

Vacinas

Dois anos convivendo com os cuidados que ainda existente em meio à pandemia de Covid-19, os riscos são reais, mas podem ser evitados para 2022. As vacinas são a grande prova. O negacionismo ainda, infelizmente, existe, e na visão de alguns brasileiros atrasa os caminhos para que, finalmente, chegue ao fim.

Mais de 143 milhões de brasileiros já estão vacinados com as duas doses. Em Manaus, porém, apenas 62,94% da população está com o esquema vacinal completo.

Cheia dos rios

Tão comum para os amazônidas, as cheias já fazem parte do cotidiano, anualmente. Porém, por vezes, a força da natureza é brava e causa prejuízos materiais aos moradores que sobrevivem dos rios.

Para tentar se prevenir, na última segunda-feira, 27, o Governo do Estado do Amazonas lançou o plano de ação para a operação ‘Enchente 2022’. O planejamento define as medidas do Estado para socorrer, aproximadamente, 130 mil famílias, nos 62 municípios que, possivelmente, enfrentarão os prejuízos causados pela subida dos rios da região.

As ações são, ainda, mais necessárias na calha do Rio Negro, por exemplo, onde a maior cheia já registrada foi este ano. O nível está 2,88 metros acima do que estava em igual período do ano passado. Em 24 de dezembro de 2020, o rio estava com 20,29 metros de profundidade; no mesmo dia deste mês chegou a 23,27 metros este ano. Os indicadores têm como referência o município de Manaus. Com exceção do Rio Madeira, todas as calhas do Amazonas têm registrado índices superiores à marca histórica

Crise do Oxigênio no Amazonas

O mês de janeiro de 2021 foi aterrorizante para muitos amazonenses. A crise da falta de oxigênio deixou vítimas e acendeu um alerta quanto à necessidade de cuidados para a administração de insumos hospitalares.

Após os problemas devido a não disponibilização de oxigênio para todos, a resposta da Secretaria de Saúde foi a instalação de novas usinas e tanques de oxigênio na rede hospitalar da capital e do interior. Atualmente, o Estado conta com 38 usinas em funcionamento, distribuídas em 27 cidades.

Marília Mendonça morreu com apenas 26 anos, em um acidente aéreo (Divulgação)

Acidentes Aéreos

Outro tópico que entristeceu o Brasil, mais uma vez, foram os acidentes aéreos. A maior e mais recente perda foi a da cantora sertaneja Marília Mendonça, no dia 5 de novembro de 2021. A cantora viajava num avião de pequeno porte e teve a vida interrompida de forma repentina, aos 26 anos.

A plataforma colaborativa Aviation Safety Network, mantida pela ONG internacional Flight Safety Foundation, diz que o Brasil registrou 111 acidentes com aeronaves de pequeno porte em 2021.

De acordo com o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), os principais problemas que geram acidentes aéreos são falha de motor em voo, perda de controle em voo e perda de controle em solo.

Uma das formas de evitar acidentes aéreos são maiores incentivos à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), agência criada para regular e fiscalizar as atividades de aviação civil e de infraestrutura aeroportuária e aeronáutica.

Por fim, lembramos, com extremo pesar, as dores de 2021, para podermos refletir; mas, principalmente, para que nós não cometamos os mesmos erros e que não precise falar sobre o óbvio todas as vezes.