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4 de dezembro de 2021
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Da Revista Cenarium *

NOVA YORK – O candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos Joe Biden afirmou em entrevista publicada em março que, caso eleito, sua administração “reunirá o mundo” para pressionar o governo de Jair Bolsonaro a proteger a Floresta Amazônica e garantir a preservação do meio ambiente, relatou a reportagem da VEJA.

O candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos Joe Biden afirmou em entrevista publicada em março que, caso eleito, sua administração “reunirá o mundo” para pressionar o governo de Jair Bolsonaro a proteger a Floresta Amazônia e garantir a preservação do meio ambiente.

“O presidente Bolsonaro deve saber que se o Brasil deixar de ser um guardião responsável da Floresta Amazônica, minha administração reunirá o mundo para garantir que o meio ambiente seja protegido”, afirmou Biden ao site da publicação independente Americas Quaterly. As perguntas foram enviadas e respondidas pela campanha do democrata em março.

Incêndios

“Os incêndios que varreram a Amazônia no verão passado foram devastadores e provocaram uma ação global para interromper a destruição e apoiar o reflorestamento antes que seja tarde demais”, disse ainda Biden, ao ser questionado se os Estados Unidos deveriam tomar algum tipo de ação caso o Brasil falhe na proteção da floresta.

A publicação ainda perguntou ao democrata se sua administração seria favorável a acordos de livre-comércio com países latino-americanos, especialmente com o Brasil. O candidato afirmou que qualquer negociação de pacto deverá garantir a criação de empregos nos Estados Unidos, proteção dos trabalhadores americanos e levar em conta as preocupações com o meio ambiente.

Relações

No final de outubro, Juan González, conselheiro para a América Latina do ex-vice-presidente durante seus anos na Casa Branca, já havia alertado nas redes sociais para a degradação das relações entre Brasil e Estados Unidos caso o democrata saia vitorioso das eleições presidenciais de 3 de novembro e o governo de Jair Bolsonaro deixe de cumprir com suas obrigações de resguardar o meio ambiente e os e os direitos humanos.

“Qualquer pessoa, no Brasil ou em qualquer outro lugar, que pensa que pode promover um relacionamento ambicioso com os Estados Unidos enquanto ignora questões importantes como mudança climática, democracia e direitos humanos claramente não tem ouvido Joe Biden durante sua campanha”, escreveu González no Twitter.

Biden chegou ainda a falar em levantar 20 bilhões de dólares para “salvar” a Floresta Amazônica, proposta que Bolsonaro qualificou de “lamentável” e “desastrosa”.

Biden lidera

As eleições americanas acontecem nesta terça-feira, 3. Por conta da pandemia, ao menos 92 milhões de pessoas já votaram pelo correio ou com antecedência. Segundo a média das últimas pesquisas eleitorais elaborada pelo site RealClearPolitics, Biden lidera as intenções de voto em nível nacional com 50,9%, contra 44,4% do atual presidente Donald Trump.

Durante seu governo, Jair Bolsonaro aprofundou as relações do Brasil com os Estados Unidos. Parte dessa campanha de reaproximação baseou-se na proximidade de ideias e ideologias defendidas pelos dois governos.

A análise das consequências para o Brasil no cenário de vitória de Biden perpassa duas trilhas, uma ideológica e a outra pragmática. No Planalto, cogita-se que as estrelas da direita na constelação ministerial — Ernesto Araújo, no Itamaraty, e Ricardo Salles, no Meio Ambiente — sairiam enfraquecidas.

Impacto

O fato inexorável é que a derrota de Trump terá, sem dúvida, um impacto na maneira como Bolsonaro se comporta em suas relações com o Congresso, STF, mídia, contas de Twitter e partidos políticos. Até recentemente, com uma leve repaginada nos últimos meses, ele seguia a tática de confronto do colega americano.

No caso de derrota desse modelo, e com a reeleição sempre em mente, é provável que ele tente erigir mais canais rumo ao centro. “Independentemente das eleições, trabalhamos sempre para construir pontes com importantes interlocutores dos dois partidos”, declarou o embaixador brasileiro em Washington, Nestor Forster Jr.

(*) Com informações da VEJA