Lideranças indígenas se mobilizam nas redes sociais e pedem intensificação das buscas por desaparecidos no AM

Eliziane Paiva – Da Revista Cenarium

MANAUS – As lideranças indígenas e ativistas utilizaram uma rede social, o Twitter, para acompanhar e mobilizar autoridades na intensificação de buscas pelo desaparecimento do agente indigenista da Fundação Nacional do Índio (Funai) Bruno Pereira e do jornalista de meio ambiente, do jornal britânico The Guardian, Dom Phillips, no Amazonas.

As hashtags #CadeBrunoPereira #CadeDomPhilps são usadas pela comunidade, entidades e representantes indígenas políticas, como a deputada federal Joênia Wapichana que escreveu: “Com preocupação, recebi a notícia do desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips na região do Vale do Javari, notificado nesta manhã. É grave e triste a situação e já reforcei o pedido de providências urgentes ao MJ e à Polícia Federal”, em seu perfil.

A líder indígena brasileira Sônia Guajajara registrou que “os povos indígenas, infelizmente, conhecem de perto os efeitos dos conflitos e invasões de nossas terras. Essa situação é mais um resultado da omissão deste governo, que é tolerante com os invasores de nossas terras e incentiva a perseguição de lideranças indígenas e ativistas”.

Sobre as operações de buscas

De acordo com informações do assessor jurídico da União das Organizações Indígenas do Vale do Javari (Univaja), Eliesio Marubo, “a Marinha já se encontra em Atalaia”, entretanto, “a Polícia Federal ainda não iniciou ‘de fato’ as buscas [do Norte]”.

Composta por três servidores da Funai e dois agentes da Força Nacional, a equipe da Frente de Proteção Etnoambiental do Vale do Javari retornou à base, por volta das 18h, sem encontrar vestígios dos desaparecidos ou do barco em que viajavam. O mesmo ocorreu com as outras equipes.

Segundo a Polícia Federal, as buscas devem ser retomadas na manhã desta terça-feira, 7.

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Entenda o caso

Bruno e Phillips foram ameaçados antes de desaparecem, segundo a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja). Bruno Araújo era alvo constante de ameaças, pelo trabalho que vinha fazendo junto aos indígenas contra invasores na região, pescadores, garimpeiros e madeireiros. Já Phillips, de acordo com o jornal The Guardian, está trabalhando em um livro sobre meio ambiente, com apoio da Fundação Alicia Patterson.

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Por conta do trabalho do jornalista para veículos como o Financial Times, New York Times, Washington Post, Bloomberg, Daily Beast, revista de futebol Four Four Two e o jornal de energia Platts, entre outros, o caso ganhou repercussão internacional.

O The Guardian disse estar preocupado e o editor de meio ambiente do jornal, Jonathan Watts, fez um apelo nas redes sociais para que as autoridades brasileiras lancem, de forma urgente, uma operação de busca pelo correspondente inglês e o indigenista.

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