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4 de dezembro de 2021
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Com informações do Infoglobo

WASHINGTON — Por duas vezes, o chefe do alto comando militar dos EUA ligou secretamente para seu homólogo chinês por temer que o então presidente Donald Trump pudesse iniciar uma guerra com a China diante da perspectiva de derrota nas eleições do ano passado e também depois que se confirmaram os resultados, revela o novo livro do repórter Bob Woodward, em trechos divulgados pelo jornal Washington Post nesta terça-feira.

De acordo com o livro, o general Mark Milley, chefe do Estado-Maior Conjunto, ligou para o general Li Zuocheng, do Exército Popular de Libertação, em 30 de outubro de 2020 — quatro dias antes da eleição presidencial americana — e novamente em 8 de janeiro, dois dias depois que apoiadores de Trump invadiram a sede do Congresso incentivados pelo próprio presidente.

Nas ligações, Milley buscou garantir a Li que os EUA estavam estáveis e não lançariam um ataque. Também declarou que, se houvesse algum sinal contrário disso, ele seria alertado com antecedência, ainda segundo o livro, intitulado “Peril” (Perigo) e que relata os últimos momentos de Trump na Casa Branca.

“Peril” foi escrito pelos jornalistas Bob Woodward e Robert Costa, que entrevistaram mais de 200 fontes. Seu lançamento está previsto para a próxima semana nos EUA. A assessoria de Milley não quis comentar. Representantes de Trump não puderam ser encontrados imediatamente.

Questionada sobre a revelação feita em “Peril” por jornalistas que viajavam com o presidente Joe Biden no avião presidencial Air Force One, a porta-voz da Casa Branca, Karine Jean-Pierre, recusou-se a comentar e encaminhou as perguntas ao Estado-Maior Conjunto e ao Departamento de Defesa.

O republicano Trump nomeou Milley para o posto militar mais alto dos EUA em 2018, mas começou a criticá-lo, assim como fez com outros indicados e ex-funcionários, após perder a eleição de novembro para Biden e deixar a Casa Branca em 20 de janeiro.

Milley teve a motivação para contatar Pequim pela segunda vez em parte por causa de uma ligação da presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, em 8 de janeiro. Ela perguntou ao general quais salvaguardas existiam para evitar que um “presidente instável” lançasse um ataque nuclear, segundo o livro, citando uma transcrição da chamada.

“Ele é louco. Você sabe que ele é louco”, disse Pelosi a Milley na ligação, de acordo com o livro.

Ao que o general teria respondido, segundo o jornal:

“Nós concordamos em tudo”.

Em outro livro lançado em julho, dos repórteres Carol Leonnig e Philip Rucker, também do Washington Post, foi revelado que Milley chegou a discutir planos para parar Trump em caso de uma tentativa de golpe.

O livro “I alone can fix it: Donald J. Trump’s catastrophic final year” (Só eu posso consertar isso: o catastrófico ano final de Donald J. Trump”) descreve como Milley e os chefes das Forças Armadas debateram a possibilidade de se demitirem, um a um, caso o presidente lhes desse ordens que considerassem ilegais ou perigosas para se manter no poder.

O militar mais graduado do País teria conversado com amigos, parlamentares e colegas sobre a ameaça de um golpe e acreditava que precisava estar “vigilante” perante os riscos: “Eles [Trump e seus aliados] podem tentar, mas não vão conseguir merda nenhuma”, Milley teria dito a seus subordinados, segundo o livro.