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6 de dezembro de 2021
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Com informações da Folha de São Paulo

SÃO PAULO – O agravamento da pandemia do novo coronavírus no País já faz com que apenas duas capitais tenham ocupação de leitos de UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) abaixo de 80%. Outras 16 se aproximam do colapso, com mais de 90% de suas vagas em uso.

É o que mostra o levantamento feito pela Folha de São Paulo com todos os Estados e capitais do País. Só em Maceió e Macapá o cenário não estava tão crítico no início desta semana. No início do mês, eram dez as capitais com mais de 90% de ocupação.

Em outros locais, como Porto Alegre, Porto Velho, Aracaju e Rio Branco, a situação vivida nos hospitais assusta diariamente profissionais de saúde e filas por vagas viraram rotina nas três primeiras cidades.

No Rio Grande do Sul, pela segunda semana seguida, o índice de ocupação de UTIs ultrapassa 100%, apesar de muitos hospitais terem aberto espaços improvisados para atender pacientes graves. Em Porto Alegre, a taxa chega a 102%.

Na última sexta-feira, 5, a Procuradoria-Geral do Estado entrou com uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal) para fazer com que a União retome o custeio de todos os leitos de UTI destinados ao tratamento da Covid-19. De outra ponta, o Estado teve um pedido de retomada das aulas presenciais negado pelo STF semana passada.

Em Porto Velho também não há leito de UTI disponível para pacientes infectados pelo novo coronavírus. A capital de Rondônia tem 184 vagas implantadas. Com isso, pacientes estão aguardando numa fila para acessar uma vaga no hospital. Capitais com mais de 90% das UTIs ocupadas passaram de 10 para 16 em uma semana.

Pacientes já aguardam há dias por leitos de terapia intensiva, e a situação também é crítica na rede privada, onde 94% das vagas estão ocupadas. Atividades não essenciais estão proibidas nos finais de semana e entre 22h e 5h, nos dias úteis.

Apesar do avanço da doença, o governo adiou para sábado, 13, o início do cumprimento das medidas restritivas aos finais de semana, quando restaurantes, bares e supermercados estarão proibidos de oferecer atendimento presencial, funcionando só por delivery.

Além da lotação dos leitos, o Estado ainda enfrenta aumento nos casos de dengue e enchentes com o transbordamento dos rios, que desalojaram dezenas de famílias.

Em todos os Estados do Centro-Oeste a situação também está crítica. Em Goiânia, dos 257 leitos existentes, 98% também estão ocupados, índice que repete a média estadual, mesmo com a implantação de novos leitos.

O governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), decretou toque de recolher das 22h às 5h na segunda-feira, 8, até o dia 22. Na terça-feira, 9, decretou estado de calamidade pública.

Além de Porto Alegre, as outras duas capitais da região Sul, Curitiba e Florianópolis, apresentam altos índices de ocupação de leitos, 96%.

Nesta terça-feria, 9, a central de leitos registrava que 123 pessoas aguardavam por vagas na capital paranaense e na região metropolitana.

A secretária municipal de Saúde, Márcia Huçulak, anunciou que sete UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) passarão a atender só pacientes graves, inclusive para internação. “O risco de contaminação é muito alto, então estamos clamando para que as pessoas não vão para as UPAs com sintomas leves ou outras doenças.” No Estado, que tem 97% de ocupação, há mais de mil pessoas à espera de vagas.

Além de lidar com a rotina de atendimento, o auxiliar de enfermagem Sidirley Blanck, de Corbélia, cidade de 17 mil habitantes da região Oeste do Estado, viveu a agonia da espera por UTI para sua prima, Silvia Lauxen, que ficou quatro dias entubada em um espaço improvisado no hospital. Só na segunda-feira, 8, ela conseguiu uma vaga em Nova Aurora, a 40 km.

“O nível da pandemia da Covid-19 está dia a dia pior, não esperava que fosse chegar nessa proporção. Os municípios estão fazendo o máximo de ações para que isso diminua, mas, de outro lado, grande parte da população não está entendendo a gravidade dessa doença”, disse.

O cenário é parecido em Santa Catarina, onde 96% dos leitos estão em uso na capital e no restante do Estado. Nesta terça-feira, 9, havia apenas sete vagas em UTIs em hospitais de Florianópolis.

No Nordeste, São Luís, Recife e Natal têm 95% de vagas em UTIs ocupadas. Na capital maranhense, há apenas nove leitos livres e, para conter o avanço da doença, foram suspensas as aulas presenciais em escolas e universidades públicas ou privadas e o horário de funcionamento do comércio foi limitado das 9h às 21h.

“Não vou iludir a população afirmando que basta abrir leitos. É imperativo que a gente adote o isolamento social”, afirmou a governadora Fátima Bezerra (PT) na última sexta-feira, 5.

Em João Pessoa, o índice subiu para 90%, enquanto Fortaleza se manteve em 87%. Salvador tem 85% e Teresina, 84%.

No Rio de Janeiro, a ocupação das UTIs públicas era de 93% na segunda-feira, 8, com 16 pacientes aguardando transferência. Em Minas Gerais, Belo Horizonte voltou a autorizar a abertura apenas de serviços essenciais para evitar que a rede fique lotada (está em 86%).

No Espírito Santo, a região metropolitana de Vitória chegou a 80% na taxa de ocupação de leitos. “É preciso que a gente compreenda que a abertura de leitos não é a solução definitiva. Precisamos interromper a cadeia de transmissão do vírus, enquanto a gente não tiver vacina para todos”, afirmou o governador Renato Casagrande (PSB) durante a entrega de 20 leitos de UTI no fim de semana.

“Antes de abrir mais leitos precisamos adequar o atendimento a quem já está no hospital. Faltam respiradores, material de entubação e até máscara N95. Não está faltando oxigênio, mas a alta demanda fez com que os pontos de oxigênio não sejam mais suficientes em alguns hospitais, que precisam transferir os pacientes para outras unidades onde ele possa receber esse suporte”, disse o médico Wilson Machado, diretor de comunicação do sindicato da categoria no Pará.

Em Manaus, que começou a flexibilizar as medidas de restrição ao comércio em 15 de fevereiro, a abertura de novos leitos não evitou o aumento na taxa de ocupação das UTIs entre o dia 1º e a última segunda-feira, 8, quando 90% das vagas estavam ocupadas.

Nas duas capitais com índices abaixo de 80%, porém, o cenário não é de tranquilidade, já que houve avanço em relação à semana anterior na ocupação de leitos. Em Maceió, passou de 64% para 73%, e em Macapá, de 72% para 75%.